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CAPÍTULO 39 - TÂNIA COPELLI

last update Data de publicação: 2021-09-04 07:45:05

Tânia estava andando de um lado para o outro, ela sabia que Greg tinha uma excelente carta na manga e ela era a única que sabia de tudo para, caso o plano dele desse errado, ainda existisse uma forma de contornar aquilo.

Ela nunca imaginou em sua vida que fosse possível ter uma inimiga, mas percebeu que no seu mundo, raridade era ter amigos e não inimigos, pessoas que não quisessem te passar a perna ou tomar tudo o que ela tinha era o que mais tinha, não deveria ser nenhuma novidade encontrar alguém que quer reinar sozinha no topo do mundo.

Para Tânia, era incoerente querer disputar qualquer coisa com Gladys, elas vivam em mundos diferentes, realidades diferentes, haviam pago preços diferentes...

Nada que ela fizesse chamaria a atenção dela, era um mundo de frivolidades que dispensava quaisquer atenções, mas ao mexer com sua filha, fez com que seus olhares ficassem fixos em apenas uma direção.

APÓS O DESFILE, Tânia encontrou um presente com um bilhete escrito assim:

“Parabéns pelo desfile, tive até belos sonhos enquanto dormia...”

G.V.

Tânia olhou para uma roupa colorida parecendo de circo, era da linha de Gladys Viermond, ela revirou os olhos como se tivesse mais o que fazer e jogou no lixo.

— Ela é conhecida pelas alfinetadas.

Alguém me disse que posso fazer meu jogo ou entrar no jogo deles.

Jorge sorriu.

— Essa pessoa com certeza é muito sábia.

 — Como será que está a minha pequena Janice?

 — Sabemos que Gael pode ser o que for, menos um assassino frio e calculista.

Ela sabia aquilo melhor do que ninguém...

— Na verdade, nunca tive a oportunidade de saber quem realmente ele era, tudo em nossas vidas foi tão rápido que só agora a ficha caiu do tipo de pessoa que ele era.

Jorge a abraçou.

— Existem pessoas que são enviadas por Deus para fazer algo bom e ruim ao mesmo tempo em nossas vidas, ele te deu uma filha maravilhosa.

— E me tirou.

— Vamos dizer que ele a pegou emprestado, queridinha, tenhamos fé.

— É tão engraçado você falando de Deus e fé.

— Faço qualquer coisa para te agradar... assim... quaaaaaalquer coisa, menos transar com você, é lógico.

Tânia deu risada da piada sarcástica dele.

— Eu sei, seu bobo.

TÂNIA ESTAVA ANDANDO pela noite afora quando viu um circo sendo fechado.

— Posso entrar? – Disse ela.

O segurança olhou bem para ela e viu que não tinha perigo.

— Sabe que já fechamos.

— Só queria ver os animais.

— Claro... seja bem-vinda... ainda tem uma atração que está aberta, a Madame Viermond.

Viermond?

— Não é a estilista espalhafatosa não, tudo bem?

— Claro... jamais imaginaria que fosse.

Tânia seguiu por entre as tendas e viu as luzes da tenda de Madame Viermond, a cigana que podia ver o futuro.

 — Que bobagem.

 Ela ia virando as costas quando ouviu uma voz chamá-la.

— Pode entrar, querida.... estou esperando por este momento há muito tempo.

 Tânia viu na entrada da tenda uma mulher de mais de noventa anos a esperando, deu um sorriso e entrou.

O que viu ali dentro era uma miscelânea de coisas misturadas.

— Sente-se.

Tânia obedeceu.

 A velha ficou face-a-face com Tânia e passou a mão pelo lenço.

 — Eu sabia que um dia nos reencontraríamos.

— Desculpe... mas nunca vi a senhora...

Ela sorriu.

— Não estou falando de você, querida, falo do lenço que está em seu pescoço.

 Tânia passou a mão por ele.

— Esse lenço era seu?

— Foi um presente que ganhei... um dia me disseram que a pessoa que a usasse iria mudar o mundo com ele.

— Então, terei que o dar a alguém.

A velha sorriu.

— Você jamais fará isso, quando deu sua vida virou um inferno.

Tânia foi obrigada a concordar.

 — Posso?

Tânia o tirou de seu pescoço e o entregou a velha cigana que o acariciou gentilmente.

 — Ele tem tantas histórias... passou por guerras, amores, sonhos...

 — Adoraria saber o que viveu com a senhora.

 — Sou apenas uma velha que sabe o futuro, mas nunca construí um passado, já você, minha querida, terá um futuro indiferente de seu passado...

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