FAZER LOGIN— Por gentileza, peço que seja breve, tenho muita coisa para fazer e bem sabe que meu tempo é muito precioso para tratar com frivolidades.
Tânia sentia a pressão de estar na frente daquela mulher deslumbrante, ela nunca havia sentido inveja de ninguém, seja por beleza, seja por talento e para seu azar, àquela em especial tinha as duas coisas.
— Então... vai ficar para aí, ou vai falar o que quer?
— Quero agradecê-la por...
— Se veio aqui para isso, está perdendo o seu e o meu tempo... ambas poderíamos estar trabalhando em nossos projetos para a semana da moda de Milão.
Tânia se ergueu como quem deveria ser para estar à frente dela como uma igual.
— Ok... trouxe o acordo para que devolvessem minha filha.
— Não te devolvi nada... eu não a tinha pego... só trepava com o imbecil do seu ex, coincidentemente sabia onde estava... fico feliz que Janice esteja bem.
— Seu filho foi muito bem-tratado.
— Óbvio que foi... ele estava em boas mãos, Tânia... posso até considerá-la uma idiota, mas sei que é uma pessoa de bom coração, desejo boa sorte no desfile, agora se me permite...
Tânia estendeu as ações de seus ateliês europeus, este era parte de seu acordo.
— Pelo jeito estava pronta para entregar metade do seu império, não é?
— Entregaria tudo por Janice.
Gladys sorriu satisfeita, pegou o telefone e disse:
— Marcel, por gentileza, traga um café para a senhora Copelli.
Gladys a fitou nos olhos.
— Por favor, sente-se, adoraria conversar com você.
Tânia não sabia porquê, mas naquele momento Gladys havia mudado completamente, era como se tivesse dupla personalidade.
— Tenho uma proposta melhor para te fazer... em vez de me dar metade do teu império, o que não me serviria de porcaria nenhuma, era apenas um teste, mas acredito que chamaríamos mais a atenção em Milão se fizéssemos algo muito mais ousado...
— E o que seria?
— Gostaria que você fosse a minha modelo por um único dia... estes seus olhos claros e cristalinos seriam um sucesso na passarela... e seu corpo até que não é de se jogar fora...
IGUALMENTE AO LIVRO “O sorriso de Cíntia Donnaville”, este livro surgiu de uma ideia absurda que veio em uma talagada só, uma amiga, Tânia postou uma foto com um lenço azul amarrado ao pescoço e até então nada daquilo havia me chamado a atenção, mas como se tivesse recebido uma marretada na cabeça, a ideia veio...A menina do lenço azul...Essa era a primeira ideia de um título, contei a ela, que inicialmente gostou, mas achou que tudo fazia parte de alguma brincadeira, o que não é o meu caso, se eu simplesmente vislumbrar uma ideia, com certeza a colocarei para frente sem pestanejar, e assim sucedeu.Em sua maioria, os personagens são inspirados em pessoas reais, Marcel um Guitarrista, amigo em minha adolescência, Gleide, uma amiga do Rio de Janeiro, com uma personalidade forte e que vence tudo e todos dia-a-d
Tânia Copelli continuou a ser conhecida no mundo todo como a mulher que revolucionou a moda, ela se casou novamente e foi avó de muitos netos, abriu uma fundação com o mesmo nome de sua grife e ajudou a muitas crianças carentes, abrindo oportunidades em seus ateliês no mundo todo.JANICE, AO CONTRÁRIO DA MÃE, seguiu a carreira militar, sendo uma oficial altamente condecorada igual ao pai, lutou em diversas batalhas, como o Vietnã e no Golfo, quando se aposentou, seguiu na carreira política, chegando ao Senado dos Estados Unidos e sendo cotada a ser a primeira mulher a disputar para a Presidência dos Estados Unidos, perdendo nas eleições primárias duas vezes seguidas.THEODORE seguiu a carreira de cineasta de filmes eróticos parisienses, um dos primeiros a seguir aquele ramo, ganhando fama mundial seguindo o sucesso de Deep Throat, do qual er
Tânia fechou os olhos e por um instante o tempo começou a passar em câmera lenta, então, ouviu o barulho oco do corpo sem vida de Marcel cair no chão e a voz de Greg.— Ainda bem que chegamos a tempo.— GREG!!! – Ela jamais imaginou que ficaria tão feliz em vez alguém na vida quanto ele – Nunca achei que ficaria tão feliz ao vê-lo novamente.— Ainda bem que meus instintos estavam certos em segui-la até aqui, sabia que uma hora esse miserável apareceria.— Mas...— Sei que deve estar pensando que ele era apenas o auxiliar de Gladys, mas era um miserável invejoso, matou Gael, o pai de Gladys, Jorge e agora queria te matar também.— Jorge está morto?— Infelizmente... ele foi sequestrado e torturado no dia do acidente.— Coitado do Jorge... era um excelente profissional.
Theodore entrou no escritório de sua mãe e olhou para o atelier, todos estavam tristes e o ambiente visivelmente sem vida.— Sua mãe era uma grande mulher.Theo olha para trás e viu Gabrielle, a secretária de sua mãe e a intermediária entre eles.— É o que todos dizem.— Isso aqui agora é tudo seu.— Isso aqui nunca será meu.Apesar de ser um rapaz que acabou de sair da adolescência, ela o percebeu muito adulto naquele instante.— Mas alguém terá que dar seguimento ao que ela construiu.Theo sorriu.— Parabéns, Gabi... é todo seu... só me mande relatórios semanais.— Para de brincadeira, Theo.— Você acha que eu iria brincar com uma coisa dessas, e outra, era o desejo da minha mãe.Theo abriu o cofre e mostrou o tes
Os médicos estavam correndo com as duas macas emparelhadas lado-a-lado, tudo estava turvo, as luzes se revezavam entre clarear e escurecer...— Tânia... disse quase num sussurro quando as camas pararam para iniciarem os procedimentos médicos.— Não fala nada...— Queria que você soubesse que foi uma extraordinária adversária... fico feliz em tê-la como minha rival.— Agora não é hora....— Nem nunca mais será...Gladys sorriu e por um instante, Tânia percebeu que era seu adeus.— RÁPIDO!!! – Gritou um dos médicos – perdemos os sinais vitais dela.Tudo o que Tânia ouviu foi sumindo... então ela adormeceu.AOS POUCOS, TÂNIA foi recobrando a consciência e, de repente, se lembrou de Gladys.— GLADYS!!! CADÊ A GLADYS???As
Theo estava passeando pelas ruas de Paris e sabia que seriam bem tranquilas devido à semana da moda em Milão, não haveriam madames desfilando pelas ruas, pois todas estariam por lá vendo as tendências para a próxima estação, então era apenas administrar seus negócios ilegais.— E aí, Theo, tudo bem? Meus sentimentos...— Tudo bem... porque meus sentimentos?— Você não ouviu o rádio e nem viu as capas de jornais?Ele negou com a cabeça e correu até a banca e viu estampado na primeira página a tragédia tripla... porém só uma delas lhe chamou a atenção...“MORRE A HEROÍNA PARISIENSE, GLADYS VIERMOND...”