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CAPÍTULO 54 - GLADYS VIERMOND

last update Data de publicação: 2021-09-04 07:55:04

Gladys estava triunfante vendo sua maior rival desfilando com uma roupa sua

— Ela está maravilhosa, não acha, Marcel?

— Ela é tão incrível quanto seu modelito, queridinha.

— Acertei em cheio em chamá-la.

— Ninguém no mundo teria uma ideia tão genial quanto essa.

Ela sabia disso melhor do que ninguém...

— Vocês me dão licença um instantinho, queridinhos.

— Você vai aonde? É a principal modelo a desfilar agora.

— Eu que a vesti, queridinho...

Era o ponto alto de toda a noite, então um grande infortúnio... Um tiro que ninguém sabia de onde veio acertou a sua modelo em cheio.

 — CARALHO!!! – Gritou Gladys – Alguém faça alguma coisa!!!

Porém, o corre-corre já estava instaurado, era um desespero frenético por onde quer que ela olhasse.

— JORGE!!! COMO ELA ESTÁ? – Gritou Gladys vendo o fiel escudeiro de Tânia já estancando o sangue.

— Está respirando, mas está perdendo muito sangue.

Gladys correu até a saída e já viu uma equipe médica vindo em sua direção.

— Vocês têm que ajudá-la.

— Vamos fazer o possível, ok?

Os médicos fizeram todos os procedimentos de emergência.

— Ela vai ficar bem, doutor?

— Por enquanto sim... no momento só pedimos que abram espaço para que ela possa ter ar, mas não foi um tiro fatal, o local que a munição se alojou é inicialmente sem perigo de vida.

Gladys não tinha percebido que toda a imprensa já estava em polvorosa em cima de Tânia, as fotos iriam vender horrores.

— Saiam daqui seus abutres!!!

Mas conforme Gladys espantava de um lado, vinham pelo outro e mais uma constelação de flashes, ela gritava em total desespero, mas tudo o que fazia parecia em vão.

— Vamos levá-la.

— Vocês acham que está seguro ir por ali?

— Só há uma entrada e saída... vamos ter que arriscar.

Ela assentiu, respirou fundo:

— Eu vou na frente para garantir.

E iniciou a marcha.

GLADYS FOI ABRINDO CAMINHO para os médicos e quando chegou na ambulância, Jorge ia subir com a sua chefe, mas foi prontamente interrompida por Gladys.

— Hoje não, Jorge.

— Ela é a minha chefe.

— E neste momento, ela é minha modelo.

GLADYS SEGUROU A MÃO de Tânia durante todo o percurso.

— Até que você não é má pessoa – sussurrou Tânia.

— Não fala besteira, garota.

— Obrigada pelo Garota, me senti mais jovem agora.

— Quem vê acha que é uma idosa falando.

— Bem... os quarenta anos de idade chegaram.

— Finja que tem vinte, ajuda bastante.

Tânia sorriu.

— Então esse é o seu segredo?

— Agora é o nosso segredo.

— Obrigada.

— Pelo que?

— Por estar aqui.

— Imagina... jamais deixaria uma modelo minha sozinha numa situação dessas.

— Obrigada por me tratar assim... agora sei o carinho que seus funcionários sentem por você, achava que era lenda, mas agora eu vejo.

— Paguei um preço muito alto pela credibilidade deles.

— Imagino que sim... principalmente na invasão nazista à Paris.

— Mas me diverti bastante também...

As duas deram risada.

— É possível sempre tirarmos coisas boas de catástrofes, não é mesmo?

— É o que penso... se você não está vendo uma oportunidade num momento de crise você está enxergando errado a situação como um todo.

— Então quer dizer que eu ter levado um tiro pode ser algo bom, me explique melhor.

— Amanhã você estará nas capas de todos os jornais, quer uma publicidade maior do que esta?

— Olhando por este lado, sim...

— Então...

Tânia sorriu gentilmente quando ouviram o barulho de um outro tiro, o pneu havia estourado e o carro titubeou por três vezes e capotou.

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