Compartir

O beijo

Autor: Edi Beckert
last update Fecha de publicación: 2026-03-22 02:23:42

Capítulo 4

Astrid Eriksson

De repente… Percebi que já estava perto demais do altar. Perto demais dele

Meu passo desacelerou por um segundo, quase imperceptível, como se meu corpo tivesse percebido antes da minha mente que não havia mais volta, não havia mais como parar.

Quando meus olhos encontraram João Miguel, ele já estava me observando. Imóvel, firme, como se aquele momento estivesse completamente sob controle. Mas não era só ele. Algo ao redor estava errado.

Observei com mais atenção e foi então que percebi Enzo à direita do conselheiro sueco, posicionado de forma estratégica, com a arma discretamente apontada para o homem que conduzia a cerimônia. Do outro lado, sua esposa Rebeca mantinha a mesma postura. Aquilo não era apenas segurança. Era pressão. Era garantia de que tudo aconteceria exatamente como deveria. Talvez fosse pelo atraso da cerimônia.

Segurei o braço de Hugo com um pouco mais de firmeza, mas continuei andando. Não demonstraria fraqueza ali. Não hoje.

Quando parei diante de João Miguel, senti a presença dele de forma mais intensa do que esperava. O calor, o cheiro, a proximidade… tudo parecia mais real do que deveria.

O conselheiro iniciou a cerimônia sem rodeios. Suas palavras não tinham nada de românticas, eram diretas, carregadas de poder, responsabilidade e território. Ele não falava sobre amor, falava sobre domínio, aliança e controle ao lado do juiz. Sobre o peso de governarmos juntos.

— Astrid Eriksson, você aceita governar ao lado deste homem, proteger a aliança e sustentar o poder que lhe pertence por direito?

— Aceito. — respondi sem hesitar.

Ele então voltou-se para João Miguel.

— João Miguel Prass Fernandes, você aceita tomar esta mulher como sua esposa e, com ela, assumir o trono que lhe será concedido, protegendo-a como parte do seu poder como Don da máfia Suéca?

— Aceito.

As alianças foram colocadas sem cerimônia. Frio, direto, definitivo. O juiz cumpriu com seu curto papel e ambas as assinaturas, então veio o momento que eu já sabia que chegaria.

— Pode beijar a noiva, e selar o casamento. — Olhei para os lados, parecia ter tantas pessoas agora.

Meu corpo travou instantaneamente. Afastei levemente o rosto e levantei a mão, oferecendo-a no lugar do beijo.

— Está tudo bem? — João Miguel perguntou em voz baixa, enquanto vinha bem perto e beijava minha mão..

— Tudo ótimo. Afinal, estamos casados. Em alguns minutos você será o Don.

Antes que qualquer coisa avançasse, o conselheiro interveio, firme.

— Sem o beijo oficial, o casamento não é validado. E, sem isso, ele não poderá ser nomeado Don.

Senti todos os olhares sobre nós. O peso, a cobrança, a expectativa. Meu corpo ficou rígido.

Eu não consigo. Nunca imaginei que beijá-lo perante todos fosse necessário.

Levantei os olhos para João. Ele não parecia surpreso, nem irritado. Apenas me observava, como se estivesse esperando exatamente esse momento.

— Você ouviu — disse ele, com firmeza. — É hora de beijar a noiva.

Meu coração disparou, mas não houve tempo para pensar, e ele me puxou.

O movimento foi rápido, firme, decidido. Meu corpo colidiu contra o dele e, por um segundo, perdi completamente o equilíbrio, sendo sustentada pelos braços dele que me prenderam com facilidade. Senti meus pés quase saírem do chão, meu corpo sendo envolvido, dominado pela presença dele.

João Miguel então me beijou. Não foi um beijo leve. Não foi protocolar. Foi intenso, profundo, quente demais para algo que deveria ser apenas uma formalidade. Ele não pediu permissão. Não hesitou. Simplesmente tomou.

Senti sua mão firme em mim, segurando como se não houvesse espaço para recuo. O beijo aprofundou de forma natural, como se ele já soubesse exatamente o que estava fazendo, como se aquilo fosse genuíno.

Meu corpo deveria reagir. Deveria travar. Deveria rejeitar. Mas não aconteceu. Nenhuma náusea. Nenhuma repulsa. Nenhum bloqueio. Só um calor.

Um calor que subiu rápido demais, quebrando tudo o que eu levei meses construindo depois do que aconteceu comigo. Minha respiração falhou por um segundo, minha mente simplesmente parou, completamente perdida naquela sensação que eu não estava preparada para sentir.

Quando percebi, já estava de volta ao chão, mas os braços dele ainda demoraram um segundo a mais para me soltar.

Os aplausos começaram ao redor, altos, firmes, aprovando aquela união como se tudo tivesse acontecido exatamente como deveria.

Respirei fundo, tentando recuperar o controle, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

Mas então levantei o olhar e vi. João Miguel não estava mais olhando para mim. O olhar dele estava direcionado para os convidados.

Mais precisamente… Para ela. A mulher do hotel.

Meu estômago revirou na mesma hora. O calor desapareceu, substituído por algo muito mais familiar.

A raiva. Fria, cortante, imediata.

Meu maxilar travou enquanto acompanhava a direção do olhar dele.

Então é isso? Esse safado… Eu devia ter puxado minha arma agora mesmo.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Um Don para a dama da máfia    206- Epílogo

    Capítulo 206 Narrativa da autora. Meses depois. Lars Lindström já bem debilitado havia feito um último pedido a Karl. Queria que eles deixassem Emil conhecer os sobrinhos. Ambos os irmãos acabaram aceitando pelo pai e levaram seus filhos lá pra ele conhecer. Mas a mudança de Emil parecia sincera dessa vez. Talvez estivesse arrependido ou com algum remorso, apenas. Hugo e Karl sabiam dos riscos, e aceitaram com olhares dobrados sobre ele. — Eu sinto muito por tudo que fiz. Sei que estava errado e não mereço perdão, mas peço mesmo assim. Me deixaram viver e isso é importante. — Disse Emil ao ver as três crianças a poucos metros com as mães assim que ele as viu. — Eu realmente espero que tenha mudado Emil. — Hugo disse sério. — Obrigado... Conhecer meus sobrinhos é muito importante. Me faz pensar que não tive filhos. Nossa mãe, Karl... Ela me induziu a fazer muita coisa. Sei que não justifica, mas se tivesse prestado atenção no nosso pai como Hugo fez, talvez tudo tivesse

  • Um Don para a dama da máfia    Thyra e Björn

    Capítulo 205 Giulia Strondda Caruso A dor me rasgou como se alguém estivesse partindo meu corpo ao meio. Ele virou a cabeça para mim no mesmo instante. Seus olhos azuis se arregalaram. A arma que apontava para o homem e a menina tremeu pela primeira vez. — Giulia! Eu não conseguia responder. A dor era diferente agora — profunda, violenta, como se meus ossos estivessem se partindo por dentro. Outra contração veio, ainda mais violenta. Senti algo quente escorrendo entre as minhas pernas. — KARL! O QUE EU FAÇO? Karl ficou paralisado por meio segundo. Outra contração me rasgou. Um grito escapou da minha garganta, rouco e longo. O médico se aproximou devagar, as mãos erguidas. Karl reagiu como um animal. Em um movimento brutal, ele agarrou a menina pelos cabelos e puxou-a contra o próprio corpo, apontando a pistola para a cabeça dela. — Se você errar um único movimento com a minha mulher ou meus filhos — rosnou para o médico, a voz mortalmente baixa —, eu

  • Um Don para a dama da máfia    A menina

    Capítulo 204 Giulia Strondda Caruso Eu estava com uma barriga tão grande que mal conseguia ver meus próprios pés. Os gêmeos pareciam ter resolvido ocupar cada centímetro disponível dentro de mim. A dor nas costas era constante, a respiração curta, e cada movimento exigia um esforço que eu tentava esconder de Karl. Mesmo assim, não conseguia parar de sorrir toda vez que olhava para ele. Ele tentava ser durão. Tentava com todas as forças. Mas bastava eu respirar um pouco mais fundo ou mudar de posição no banco que ele virava a cabeça imediatamente, os olhos azuis varrendo meu rosto em busca de qualquer sinal de desconforto. — Eu nem acredito que estamos viajando duas horas só para buscar uma fruta, Karl — reclamei, reclinando o banco o máximo que a barriga permitia. Ele manteve as mãos firmes no volante, olhar fixo na estrada. — Nossos filhos não vão ficar com vontade de nada. Muito menos você, Giulia. Se você quer a fruta da árvore, vamos buscar a fruta da árv

  • Um Don para a dama da máfia    Sentido

    Capítulo 203Don João Miguel Fernandes(Meses depois)Eu sempre achei que comandar uma máfia fosse complicado.Não é.Complicado é impedir um bebê de sete meses de escalar uma estante. Johan estava exatamente tentando fazer isso naquele momento.Eu o peguei pela cintura antes que conseguisse alcançar a segunda prateleira da biblioteca e o ergui no ar.— Nem pensar.Meu filho respondeu com uma gargalhada e tentou agarrar meu nariz. Atrás de mim, Astrid riu.— Ele faz isso porque sabe que você vai impedir.— Ele tem sete meses.— Exatamente. Já entendeu como você funciona.Balancei a cabeça e sentei Johan sobre meu antebraço. O pequeno imediatamente começou a puxar o colarinho da minha camisa enquanto observava tudo ao redor com enorme interesse.Era impressionante. Em poucos meses ele havia transformado completamente a rotina da casa.Os relatórios continuavam chegando, as reuniões continuavam acontecendo, os problemas continuavam existindo, mas agora tudo parecia menor quando comparad

  • Um Don para a dama da máfia    Chá revelação dos gêmeos

    Capítulo 202Don João Miguel FernandesQuatro meses e meio haviam se passado desde o nascimento de Johan, e eu estava completamente perdido em casa.Nunca imaginei que um ser humano tão pequeno pudesse dominar um homem como eu. Johan Eriksson Fernandes tinha apenas quatro meses e meio, mas já comandava a casa inteira com um simples olhar ou um chorinho manhoso. Eu passava horas olhando para ele enquanto dormia, segurando sua mãozinha, ou simplesmente observando aqueles olhos azuis idênticos aos da mãe.Astrid não perdia nenhuma oportunidade de me zoar.— Olha só pra você — disse ela naquela manhã, encostada no batente da porta do quarto do bebê, braços cruzados sobre a barriga já bem chapada — O Don da Suécia, o homem que fez a África tremer, agora derretido por causa de um bebê que nem sabe falar ainda.Eu nem me dei ao trabalho de negar. Estava sentado na poltrona com Johan no colo, balançando-o devagar enquanto ele dormia.— Ele sorriu pra mim ontem — respondi, sério. — Foi um sorr

  • Um Don para a dama da máfia    Não matar

    Capítulo 201 Karl Lindström Eu ainda estava fervendo quando chegamos ao reduto. O carro mal havia parado e eu já abri a porta do passageiro, segurando o braço de Giulia com firmeza — não o suficiente para machucar, mas o bastante para ela entender que não era uma sugestão. Ela me lançou um olhar afiado, mas não resistiu quando eu a puxei para fora do veículo. — Karl… — começou ela. — Agora não — cortei, a voz baixa e rouca de raiva. João Miguel e Astrid chegaram logo atrás. O Don carregava o pequeno Johan no colo como se o bebê fosse feito de vidro. Toda a família já esperava na entrada principal: Ragnar, Lorenzo, alguns capos antigos e até alguns soldados que não conseguiam esconder a curiosidade. Provavelmente, a família Strondda já esteja viajando pra conhecer o novo membro. Astrid estava radiante, mesmo exausta. Johan dormia tranquilamente nos braços do pai. Por um momento, a imagem me atingiu — meu Don, o homem mais temido da Suécia, completamente derreti

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status