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Capítulo 5

last update Fecha de publicación: 2024-06-08 10:46:00

Felipa

Depois de deixar meu tio consolando minha tia, fui para o quarto que dividia no alojamento. Onde tive que esperar meia hora do lado de fora porque o sinal com marca de batom estava no trinco. Quando minha colega decidia trazer alguém era assim que ela marcava. Eu podia fazer o mesmo, mas nunca fiz. Não sinto desejo nem interesse romântico por ninguém. Talvez nunca sinta.

Assim que o cara se foi, tomei um banho e me troquei e fui para a aula. Que eu espero não ter tido nada importante porque não consegui absorver nada.

Quando finalmente coloquei a cabeça no travesseiro, mal dormi. Passei a noite em claro me questionando se estava agindo certo ao planejar enfrentar um homem poderoso como o senhor Escobar. No fim, aceitei que tinha que fazer isso. Homens como ele precisam entender que as pessoas não são seus brinquedos. Ele está brincando com a minha vida, com a vida da minha tia, como se não fosse nada.

Às cinco da manhã me levanto e me arrumo. Faço tudo como um dia qualquer.

Vou até a empresa ensaiando o discurso de ódio.

Cumprimento as pessoas pelo caminho normalmente, mas ao contrário de ir trocar meu jeans e blusa pelo uniforme e iniciar meu dia, pego o elevador e subo até o andar do CEO.

Subo e passo direto da secretária dele. Que arregala os olhos e vem atrás de mim.

— Ei! Ei! Não pode entrar ai.

Antes que ela termine de falar, já abri a porta e me meti na sala do CEO, onde ele está com um homem loiro sentado à sua frente, conversando.

Ele me olha curioso. O loiro também.

— Pois não? — pergunta.

Meu discurso de ódio some. Fico calada olhando para ele, me sentindo intimidada pelo seu tamanho e seu jeito arrogante dentro de roupas que jamais eu poderia comprar.

— Temos reunião marcada? Não me lembro. — Ele insiste.

Por um momento penso em deixar todo ódio de lado e apenas implorar para que mantenha o emprego da minha tia.

— Você mandou demitir a minha tia?

Preciso saber. Preciso ter certeza que ele está fazendo isso para me atingir. Porque nem mesmo nos conhecemos, pode ser apenas uma coincidência, não ter nada a ver comigo.

— Sim, ordenei sua demissão. Agora, voltando a minha questão, temos reunião marcada?

É tão deprimente.

Ignoro a presença da secretária que segura o meu braço para me expulsar e o cara loiro que parece se divertir com o que estou passando. 

— Em seus sonhos eu marcaria algo com você, seu verme escroto. — Meu tom de voz está alterado pela raiva e pelo choro que seguro com toda minha força. O cara loiro ri e olho para ele. — Está me achando com cara de palhaça? Palhaço é esse babaca que demitiu uma senhora que o idolatrava só pra mostrar que tem pau. Pois fique sabendo que a minha tia vai superar e vai conseguir um emprego bem melhor. Onde tem um patrão de verdade e não um moleque que agride quando perde o joguinho.

O CEO se mostra sereno e impassível diante das ofensas.

— Ela não precisaria superar se assinasse o contrato — diz.

Me solto da megera da secretária com um safanão que quase a derruba dos saltos finíssimos.

— Chamarei os seguranças — ela ameaça saindo. Ignoro. Continuo olhando o homem arrogante.

— O senhor só pode estar brincando. Eu sou capaz de arrancar meu útero antes de deixar que alguém com seus genes cresça nele. Sua raça deveria parar em você.

Ele levanta e se apoia na mesa, encostado de um jeito displicente.

— Acabou? — pergunta.

— Sim. Tenho mais o que fazer. Quando ao meu trabalho, considere abandono.

Saio empurrando a secretária. Mas antes que eu chegue ao elevador, as portas se abrem e dois seguranças aparecem.

— Tirem ela daqui. É a invasora. — A secretária parece ter prazer em humilhar.

Os homens nem mesmo fazem perguntas. Sou agarrada pelos braços e arrastada para o elevador. Logo em seguida vem a humilhação de ser levada para fora da empresa por eles, enquanto colegas de trabalho olham e comentam.

Acho que nunca falei tanto palavrão na minha vida. Muito menos fui tão humilhada.

Nunca pensei que sairia assim.

E enquanto passava a vergonha do século, jurei que minha tia e eu iriamos superar e conseguir empregos melhores.

Para garantir isso, menti para tia Joyce. Falei que não consegui falar com o CEO, que parece que ele está viajando. Pedi que tirasse uns dias de descanso enquanto ele não voltava.

Nesse meio tempo, montei nossos currículos e busquei vagas para que ela se envolvesse e desistisse de falar com o escroto que a demitiu.

O problema é que tia Joyce não superou. Perder o emprego a deixou triste e depressiva. E eu nem contei a ela que tinha me demitido.

Ela passa seus dias em casa lamentando. Meu tio está preocupado que ela fique doente. E a culpa de tudo isso é minha. Por isso, estou fazendo um sanduiche com meu orgulho e engolindo seco. Por ela sou capaz de me humilhar mais do que já fui humilhada.

Se para trazer sua alegria terei que me sacrificar... eu o farei.

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Último capítulo

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    AquilesMeses depois...Eu já sabia que uma hora o velho Escobar partiria, mas, sendo sincero, uma parte minha queria que ele fosse eterno e continuasse suas ameaças de mudar o testamento. Depois que desisti da herança, pude perceber que tudo que eu queria era tempo com ele. Não que eu tenha desperdiçado meu tempo, sei que desde sempre tivemos uma boa ligação e conveniência. Vou sentir falta. Principalmente de o ver com a costumeira bengala e a companheira teimosia.Enfim, espero que esteja melhor onde estiver.Chegou o dia da leitura do testamento.O velho mandar instalar um telão no quintal da sua mansão, do estilo cinema de estacionamento, daqueles filmes antigos onde as pessoas assistem dos carros, mas no lugar dos carros foram disponibilizadas várias cadeiras. Coisas que o velho Escobar ama fazer (chamar a atenção com exageros).Os advogados explicam a parte técnica, e logo o vídeo começa com a imagem do velho Escobar sentado em sua poltrona favorita, segurando sua bengala.Ele o

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