LOGINBeatriz observou pela janela da cozinha quando o todo poderoso Jefferson Ryan se aproximou da piscina e deixou o roupão cair. Nossa! Que homem lindo! O corpo bem feito e musculoso estava coberto apenas por uma minúscula cueca preta. Beatriz sorriu intimamente. Até que não ia ser tão difícil aquele trabalho. Cozinharia até de graça se pudesse ver aquela escultura todos os dias.
- Beatriz Lauren?
Beatriz deu um salto assustada e esbarrou na cadeira ao virar-se e dar de cara com a mulher mais bonita que ela já vira.
- Eu... Olá... Alana?
Ela se aproximou e olhou pela janela par certificar-se do que estava chamando a atenção de Beatriz.
- Meu noivo é lindo não é?
- Desculpe... Não entendi.
Ela olhou cinicamente para Beatriz
- Estava admirando meu namorado não é?
- Não, só fiquei curiosa porque ainda não fui apresentada ao meu patrão
- Sei... Tudo bem.
Beatriz observou detalhadamente a mulher à sua frente. Parecia uma boneca de porcelana. A pele muito branca e lisa, os cabelos loiros super lisos e os olhos azuis. O corpo escultural e as unhas perfeitas pintadas de vermelho. De qual conto de fadas ela tinha saído? Era bem o tipo de mulher que um homem como Jefferson namoraria. Não diziam que ele era exigente e cheio de detalhes?
- Então, o que teremos de bom para almoçar? – Alana perguntou
- Fiz o cardápio que me foi fornecido, espero que esteja do seu gosto
- Eu também
Beatriz revirou os olhos e voltou para a cozinha a fim de verificar se o último prato estava pronto para sair do forno. Deu uma última conferida em tudo e começou a arrumar a mesa. Cerca de uma hora depois ela foi informada que deveria servir o prato de entrada.
Estava nervosa e suando frio.
Ela entrou na sala e colocou a travessa com a salada de salmão ao molho de maracujá acompanhada de nozes e uva passas. Jefferson estava sentado em frente à Alana e Beatriz timidamente se apresentou.
- Bom dia Sr. Jefferson, agradeço por confiar em meu trabalho e espero que esteja a seu gosto.
Ele olhou para ela meio sem atenção, mas fixou o olhar em seus cabelos curtos e vermelhos. Provavelmente estava achando que ela era muito estranha.
- Bom dia Beatriz, seja bem vinda.
Naqueles poucos minutos Beatriz observou aquela cena que chegava a ser engraçada. Aqueles dois ali sentados tão formais, como se estivessem em um evento social. O tal Jefferson era tão lindo quanto sua noiva. As roupas impecáveis, o perfume quase a sufocava e os cabelos dele era pretos e não tinha um fio fora do lugar. E eles mal se falavam. Comiam em silêncio e Beatriz se perguntava se aqueles seres eram humanos ou a personificação da Barbie e do Ken.
Tossiu para chamar a atenção do casal e perguntou se podia trazer o prato principal.
O prato era basicamente um risoto de camarão acompanhado de grão de bico. O toque principal se resumia a um molho feito com iogurte e vinho branco para ser servido sobre o risoto. Ela aguardou em silencio enquanto eles degustavam o prato e sentiu-se satisfeita ao passar pelo crivo do exigente empresário.
- Parabéns Beatriz! Nunca comi nada tão saboroso.
- Obrigada.
Ele deu um sorrisinho meio sarcástico.
- Não comemore ainda vamos ver a sobremesa.
Você vai engolir essa!
Beatriz pensou ao voltar com duas taças de sorvete de morangos coberta com creme de avelãs e regadas com licor.
Ele demorou alguns minutos saboreando a sobremesa e depois voltou-se para ela.
- Podemos dizer que para que Jefferson Ryan decida lhe contratar é porque você é realmente boa.
Convencido!
- Agradeço
- Então. Amanhã receberei um amigo e a namorada dele e gostaria que você fizesse o que há de melhor. Ele é uma pessoa muito especial.
- Tudo bem. Joana me passará o cardápio via e-mail e providenciará o que for necessário.
- Por hoje você está dispensada. Vou pedir ao motorista que a leve para casa
- Não precisa, estou de carro.
- Tudo bem, até amanhã então.
Beatriz saiu da sala, mas ainda deu tempo de escutar o comentário de Alana.
-Essa moça é meio estranha, você viu a cor do cabelo dela?
Ela ficou na expectativa do que ele ia responder.
- Achei o cabelo até bonito, mas ela é meio estranha mesmo, aposto que é lésbica.
Beatriz quase voltou na sala para dizer um monte de desaforos aqueles idiotas. Lésbica! E se ela fosse? Ele era mesmo era preconceituoso e cheio de si. Se ela tivesse paciência para aquele tipo de gente ia mostrar a ele quem embora ela não visse problema nenhum em ser lésbica, ela tinha outras preferências sexuais. Ele parecia ser muito sexy e viril para uma boneca desbotada como aquela namorada dele.
“Aposto que eu daria conta dele muito melhor”
Resmungou arrumando suas coisas. Ligou para a amiga Daiane e combinou de ir com ela ao Shopping.
- Vou te contar minha aventura de hoje. Primeiro dia de trabalho na casa do bonitão Jefferson Ryan
-Ele é bonitão mesmo?
-Jesus! O cara é lindo, vou enfartar antes desse trabalho terminar
Ela desligou e se dirigiu a saída para ir embora. Ao passar pelo corredor que ligava o banheiro à cozinha, quase esbarrou em Jefferson, que a segurou pelos braços impedindo-a de cair.
- Eu... desculpe... estava distraída
Ele riu meio cinicamente.
- Cuidado, uma hora dessas você pode cair
- Tomarei cuidado, tchau
- Tchau. Cuidado para não enfartar antes do trabalho terminar...
Ela estancou e voltou-se para ele
- Estava ouvindo minha conversa?
Ele levantou as mãos
- Você falou alto...
Ela estava vermelha de vergonha, mas não ia ficar por baixo
- Tudo bem, aproveito então para dizer que não sou lésbica, embora não tenha nada contra.
Ele se aproximou e ficou perigosamente perto dela, fitando-a descaradamente.
- Eu também não tenho nada contra se a mulher for lésbica...
Ele está me passando uma cantada? É isso?
Beatriz pressentiu que teria problemas. Aquele homem ali era totalmente diferente do que estivera sentado ao lado da namorada na hora do almoço. Ele era o tipo que não podia ver uma mulher bonita sem partir para cima e tinha consciência do quanto sua beleza e sensualidade provocava as mulheres. Melhor mostrar logo a ele que com ela não funcionaria.
- Sr. Jefferson, estou aqui apenas para trabalhar, combinado?
Ele a olhou de alto a baixo
- Combinado...
Mas a voz dele dizia outra coisa.
Ela voou para a porta sem olhar para trás.
Quando sentou atrás do volante do seu HB20, comprado em prestações sem fim, ela respirou fundo. Estava quase febril e para seu espanto estava excitada. Por um momento ela tinha pensado em ir para a cama com Jefferson Ryan! Estava ficando louca.
O melhor era ir logo encontrar a amiga e tomar umas cervejas para arejar a mente, porque ainda tinha o dia seguinte pela frente.
Beatriz olhou lentamente o quarto. Era lindo. Todo decorado em vermelho e dourado. Tinha uma cama enorme iluminada por um lustre que girava e espalhava feixes de luz projetados estrategicamente. Mais à frente alguns degraus levavam a uma banheira enorme de onde saia um vapor com um aroma muito agradável. Uma música instrumental sugestiva preenchia o ambiente e sobre uma mesa próxima a cama tinha um vaso com gelo e champanhe.Ela virou-se para Jefferson e franziu a testa- Porque me trouxe aqui?Ele não respondeu e se aproximou devagar abrindo os botões da camisa branca que ela usava- Tem certeza que não sabe?Ela o ajudou a tirar a camisa e desabotoar o cintoEla estava apenas de calcinha e sutiã e ele sem camisa e com o cinto aberto.Ele se afastou e pegou o champanhe e encheu os dois copos.- Sem pressa minha linda, temos a noite inteira pela frenteEla se arrepi
Três anos depois...Jefferson desceu do avião com a filha Liza no colo. Ela estava completamente adormecida e segurava fortemente no pescoço do pai.Beatriz vinha logo atrás com as malas e sorriu ao ver aquela cena. Aqueles dois não poderiam ser tão parecidos. Liza tinha o mesmo gênio forte do pai e gostava que as coisas fossem feitas à maneira dela. Muitas vezes Beatriz tinha que ser um pouco mais enérgica com ela e dizer não com mais autoridade para que ela pudesse entender. Mas Jefferson a ajudava e não voltava atrás em nenhuma decisão que ela tomava, embora fizesse todas as vontades da filha.Eles tinham decidido morar em Nova Iorque, pois as lojas de lá exigiam mais a presença dele e sempre que podiam passavam alguns dias no Rio para se inteirar com Murilo dos negócios ali e em São Paulo. Agora ia ser um pouco mais difíci
Jefferson estava uma pilha de nervos. Tudo resolvera dar errado naquela viagem. Um de seus gerentes tinha pedido demissão para acompanhar a esposa doente de um câncer terminal e ele se viu de um momento para outro tendo que assumir a função até conseguir contratar alguém a altura dele. Isso o fez adiar sua volta para o Rio por mais uma semana. Ele nunca tinha passado tanto tempo longe de Beatriz desde que ficaram juntos e aquilo estava deixando-o nervoso. Estava cansado de mentir para si mesmo. Não conseguia mais viver sem ela. Aquela mulher tinha se tornando a coisa mais importante da sua vida e ele a amava de uma forma que chegava a doer. Nunca passou pela sua cabeça que um dia fosse se apaixonar por alguém, mas Beatriz chegou em sua vida e tirou todas as certezas que ele pensava ter. Agora tudo que ele mais queria era dividir sua vida com ela. Gostava de dormir com ela, acordar juntos, tomar café. Tudo ao lado d
Beatriz não acreditou quando o advogado de Jefferson ligou avisando que precisava conversar com ela pois os advogados de Gustavo tinham feito uma proposta. Eles se encontraram no escritório de Jefferson na casa dele e ela não acreditou na proposta que ouviu.- Como é? Ele ofereceu um milhão de reais para que eu retire a queixa?- SimJefferson estava possesso- Miserável! que bela chantagem!- Eu disse que ia conversar com vocêsJefferson sentou e recostou na cadeira- Então você pergunta se ele quer ver o saldo da minha conta e diz pra ele enfiar o milhão dele você sabe ondeBeatriz estava agoniada com o desenrolar daquela história e voltou-se para Carlos, o advogado que estava tomando conta do caso.- Está certo que eu não vou retirar queixa nenhuma. Então o que pode acontecer de agora em diante?Ele pensou um p
No dia seguinte Jefferson a levou para jantar no apartamento da mãe. Ela estava meio envergonhada e sem saber como se comportar. A sorte era que Bárbara era uma mulher muito alegre e falante e não deixava o ambiente pesado.- Oi minhas coisas lindas, obrigada por vim me visitarO apartamento dela ficava no Leblon, em um condomínio muito luxuoso. Era um apartamento pequeno, mas muito bem arrumado e aconchegante.- Sua casa é linda!- Eu sei, foi presente do meu filhoteEla abraçava Jefferson com se ele fosse uma criança. Estava claro que ele amava muito a mãe, mas se sentia constrangido com os carinhos exagerados que ela fazia.-Você sabe que por mim, você moraria comigo na minha casa não é.Ela riu alto.- Deus me livre! Quero meu cantinho. E agora que você casou nem pensar.Ele revirou os olhos- Eu não casei!-
Jefferson precisava viajar para Nova York, mas naquele momento ele não queria sair do Brasil e deixar Beatriz sozinha. Não até ter certeza que Gustavo estava longe dela.- Por favor Jeff, não quero que você mude seus compromissos por minha causaEle andava de um lado para outro no quarto- Você poderia vim comigoEla suspirou- Não posso, estou trabalhandoEle parou na frente dela e pensou um pouco antes de disparar a frase seguinte- Você poderia era sair desse restaurante e vim trabalhar comigo- Oi?! Não entendi!- Ah Beatriz, vamos deixar de frescuras e admitir que estamos juntos e nada mais natural que você me ajudar a comandar meus negócios- Não sou sua mulher não Jefferson Ryan, estamos apenas namorando, ficando, sei lá o que...Ele passou a mãos nos cabelos impaciente- Só que eu n&ati







