FAZER LOGINDante
"Não comprei uma mulher. Comprei uma função."
Eu sou o Don. O chefe. Aquele que faz e desfaz acordos. Aquele que decide quem vive e quem morre. E hoje... Eu comprei uma mulher. Com uma função. Nada além disso. Minha interação com ela foi objetiva. Direta. Do jeito que tem que ser. Saí do quarto, deixando-lhe as minhas últimas palavras. "Em cima da minha cama. Comigo dentro de você..." Maldição. Fui cruel de propósito. Frio. Calculado. Não pela maldade, mas porque precisava deixá-la ciente. Ela não está aqui para ser agradada. Ela está aqui para cumprir um papel. Me dar um herdeiro. A porta se fechou atrás de mim com um estalo seco. Não tranquei. Não precisava. Ela não vai fugir. Não ainda. Passei a mão pelo rosto, respirei fundo no corredor silencioso da ala leste. O cheiro dela ainda grudado em meu nariz. Perfume barato misturado ao orgulho. O tipo de presença que incomoda, não porque machuca, mas porque provoca reações que não deveriam existir. Valentina Rojas. Vinte e dois anos. Órfã. Virgem. Fértil. Saudável. Obediente... Pelo menos foi o que me prometeram. Mas aquela garota... não é nada do que me prometeram. Ela me olhou como se fosse dona de si. Como se ainda tivesse escolha. Como se estivesse acima de tudo isso. Mas não está. Foi vendida. Entregue. Agora é minha propriedade. Voltei para o escritório, mas o maldito rosto dela continuava na minha cabeça. Olhos ardentes. Mas não suplicantes. O orgulho na postura. A arrogância no gesto. Ela deveria ter chorado. Deveria ter suplicado. Deveria ter desabado ao ouvir o que eu disse. Mas não. Ao invés disso, ela me desafiou em silêncio. E isso... me irrita. Sentei na poltrona. Peguei o copo de uísque. O gelo estalou. O gosto queimou como ela queimou quando me encarou. Giovanni Moretti, aquele cretino. Ouviu sobre eu precisar de um herdeiro. E a ofereceu em troca de suas dívidas. Me convenceu de que ela era uma boa opção. - É virgem, senhor Vitale. - E daí? - perguntei com desdém. - É jovem. Sem laços. Sem família. Vai obedecer. - ele me disse cada palavra como se fossem um agrado, como se cada uma delas fosse necessária para fechar o negócio. - Se ela for útil, serve. - respondi, e esse foi o acordo. Mas Giovanni esqueceu de dizer que a garota tinha orgulho. Fúria. Olhos de quem não se curva fácil. E isso me incomoda mais do que deveria. Não sinto pena. Não sinto culpa. Isso aqui é negócio. Ela tem sorte de estar viva. De estar num quarto aquecido. De ter comida na mesa. Ela poderia ter sido entregue a outro. Poderia ter sido quebrada na primeira noite. Poderia ter sido violentada sem sequer saber por quem. Mas eu não sou qualquer um. E ela vai aprender isso. Ela vai obedecer. Vai aceitar. E vai me dar o que eu quero. A lembrança dela com o vestido preto ficou gravada na minha mente. Tecido justo demais. Pele demais. E o fogo nos olhos de quem me odeia, mesmo sem poder. É isso que ela não entende. O ódio dela não me ameaça. Me diverte. Deixe que lute. Deixe que esperneie. No final, todo mundo quebra. E quando ela quebrar... Será comigo dentro dela. Do jeito que escolhi. Minutos depois, bateram à minha porta. Era Teresa. Carregando uma bandeja. - Senhor Vitale... ela recusou o jantar. - Sorri. Claro que recusou. Ela quer resistir. Acha que está jogando um jogo de poder. Mas ainda não entendeu que essa partida só tem um tabuleiro. E é meu. - Leve de volta ao quarto. E diga que mandei comer. Teresa assentiu e saiu com a bandeja em mãos. Dei mais um gole em minha bebida. E mais uma vez sorri pela audácia da garota. Deixei meu copo de lado e voltei ao seu quarto. Entrei sem bater. Não preciso dessa formalidade e nem ela de privacidade. Ela estava deitada na cama. O vestido agora mal cobria suas partes. Sabia bem que eu estava ali. Ouviu a porta, sentiu minha presença. Mas se recusou a me olhar. Cheguei até onde estava a bandeja, ainda intocada. Sem nem mesmo olhar para ela, disse: - Coma. - Não. - ela rebateu. - Quero um herdeiro saudável. Eu disse, agora olhando para ela. Valentina se apoiou nos cotovelos para me encarar. - Se preocupe primeiro em fazer um, senhor Vitale. - Seu olhar queimava no meu. Ela deitou novamente. Começou a encarar o teto. Caminhei lentamente até a cama. Sem aviso. Sem pensar. Me deitei sobre ela. Seu coração acelerou, seu corpo enrijeceu sob o meu. Mas ela ainda manteve o olhar firme, o fogo e o desafio estampados nele. Valentina não abaixaria tão fácil. - Está pronta para começar, senhorita Rojas? Minha mão subiu por suas coxas, levando o vestido junto e expondo sua calcinha. Rocei meu membro nela, o cretino reagiu no instante em que a sentiu. Desci meu rosto até seu pescoço, passei meu nariz até sua orelha. Com meus lábios encostados ali, sussurrei: - Porque eu estou. - Mordisquei seu lóbulo e me esfreguei nela novamente, dessa vez ela soltou um gemido baixo. Aqueles que vêm bem do fundo da garganta, que mesmo quando seguramos, ele escapa. A respiração dela ficou ofegante. Ela levou a mão até meu peito, na intenção de me afastar, mas suas pequenas mãos tocaram bem na minha pele exposta pelos botões abertos da camisa. Notei seus braços arrepiarem pelo toque, meu corpo também reagiu. - Você não ousaria. - ela disse com a voz trêmula. Desci minhas mãos até o meio de sua coxa, subindo até sua calcinha e a acariciando levemente. Prendi meus olhos nos dela e disse: - Vai descobrir, Valentina, o quanto sou ousado. Minha voz era grave, mas também fria. Saí de cima dela. Me ajeitei. - Agora, coma. Ela me encarava, mas não disse nada. Dei as costas, segui até a porta e saí do quarto. Dessa vez eu a tranquei. Retornei ao meu escritório. Enchi meu copo com uísque. Me sentei em minha poltrona. Lá fora, a noite caiu sobre Florença como um manto. Mas aqui dentro, a tensão dela ainda estava presente no ar. Ela é só uma ferramenta. Um meio. Uma barriga. Precisava repetir isso para mim mesmo. Mas mesmo assim... A lembrança do olhar dela queimava mais do que o uísque na garganta. Abaixei o olhar para o celular. Havia novas mensagens de aliados, reuniões, avisos sobre negócios. Mas só conseguia pensar nela. Seu coração acelerado. A respiração ofegante. O toque da minha pele na dela. E as mãos dela no meu peito. Fechei os olhos por um instante. E me lembrei dos seus. Castanhos. Intensos. Ardendo em ódio. É isso que me prende. Não é o corpo. É o fogo. E eu quero apagar esse fogo com as próprias mãos. Ou alimentar até ela explodir em mim. Mas não agora. Ainda não. Porque primeiro ela precisa entender: Não existe escolha aqui. Só ordens. E consequências. E a consequência não será só um herdeiro. Vai ser ela gemendo meu nome.EpílogoDanteDois anos depois.A casa cheirava a cera de madeira antiga e biscoitos de canela. Parei na porta da biblioteca, apoiando o ombro no batente, sem fazer barulho. Eu tinha acabado de chegar de uma viagem de três dias a Milão e estava exausto, com o cheiro de aeroporto e reuniões entediantes impregnado na roupa.Mas aquela cena... aquela cena limpou minha alma instantaneamente. A luz dourada do fim de tarde entrava pelas janelas altas. Valentina estava sentada ao piano de cauda. Ela tocava algo suave, uma melodia que parecia flutuar no ar, os dedos dançando sobre as teclas com uma leveza que contrastava com a força que eu sabia que aquelas mãos tinham.No sofá de veludo, Sofia estava esparramada, com os pés apoiados numa pilha de almofadas, massageando o tornozelo inchado. A barriga de sete meses de gravidez era uma curva proeminente sob o vestido florido.- Eu juro, Tina... - Sofia resmungava, interrompendo a música. - Se o Mario me disser mais uma vez para "ficar calma", e
Dante Eu enfrentei exércitos. Negociei com terroristas. Sobrevivi a torturas e enterrei inimigos com as minhas próprias mãos. Mas nunca, em trinta e dois anos de vida, minhas mãos suaram tanto quanto agora. Ajeitei a gravata pela décima vez na frente do espelho do hall. O nó estava perfeito, mas parecia apertar minha garganta. - Se você mexer nessa gravata de novo, eu vou chamar a Teresa para te dar uma colherada na mão. Virei-me. Mario estava encostado na porta, um copo de uísque na mão e um sorriso debochado no rosto. O Sottocapo parecia irritantemente calmo. - A segurança? - perguntei, ignorando a piada. - O perímetro está fechado, Dante. - Mario revirou os olhos, desencostando da porta. - Temos atiradores nos telhados, drones no ar e mais homens armados disfarçados de garçons do que garçons de verdade. Nem uma mosca entra aqui sem autorização. Relaxe. Hoje é dia de paz. Ele me estendeu o copo. - Beba. Você parece que vai vomitar. Peguei o copo e virei o líquido âmbar de u
ValentinaTrês meses.Noventa dias de fisioterapia, exercícios respiratórios para fortalecer meu pulmão remendado e sessões de fonoaudiologia para que minha voz voltasse a ser mais do que um sussurro rouco.A recuperação foi uma escalada lenta, mas a vista do topo valia a pena. A mansão Vitale nunca esteve tão viva. O silêncio solene dos corredores tinha sido substituído pelo som de joelhos pequenos batendo no chão de madeira e balbucios que soavam como ordens ditatoriais.Nicolau e Vittoria estavam com oito meses. E eram o caos encarnado. Nico engatinhava como um tanque de guerra, derrubando tudo o que via pela frente, com a força bruta do pai. Vittoria era rápida, estratégica; ela esperava o irmão derrubar a barreira de almofadas para passar pelo buraco.Eu estava sentada no tapete da sala, rindo enquanto Nico tentava comer o pé da mesa e Vittoria puxava a orelha de um urso de pelúcia.- Eles vão destruir a casa antes de completarem um ano. - Elisa comentou, passando com uma pilha d
Valentina Acordar não foi como acender uma luz. Foi como emergir de um oceano profundo e escuro. Primeiro veio o som: o bipe rítmico, a respiração pesada de alguém ao meu lado. Depois veio o toque: uma mão grande, áspera e quente segurando a minha. E por último, a dor. Não era a dor aguda do tiro. Era uma dor surda, de corpo esquecido, de músculos atrofiados. Tentei engolir e senti um bloqueio estranho na garganta. Algo plástico. Algo errado. Levei a mão ao pescoço, os dedos trêmulos tocando o curativo, o tubo pequeno. - Calma, Tina. - A voz de Chiara veio do outro lado, profissional, mas embargada de alívio. - Não tente falar. Você está com uma traqueostomia. Vai incomodar um pouco, mas é o que te ajudou a respirar. Abri os olhos completamente. A luz do abajur era fraca, dourada. Dante estava ajoelhado ao meu lado. O rosto dele... meu Deus. Ele estava barbudo, com olheiras profundas, mas o sorriso que ele me deu foi a coisa mais bonita que já vi na vida. - Você voltou. - ele s
Dante Dois meses. Sessenta e um dias. Mil, quatrocentas e sessenta e quatro horas. Eu aprendi a contar o tempo não por relógios ou prazos de carregamentos, mas pelos bipes de um monitor cardíaco e pelas mamadas de duas crianças que não entendem por que a mãe não vem quando elas choram. Transformei a ala leste da mansão em um hospital de ponta. A Doutora Chiara praticamente mora aqui. Três enfermeiras se revezavam em turnos de oito horas. O quarto onde Valentina dormia cheirava a antisséptico e lavanda, o cheiro dela lutando contra o cheiro da medicina. A ferida no peito dela estava fechada. A cicatriz, uma linha rosada e furiosa, era a marca da bala que deveria ter me matado, não ela. O corpo estava curado. Os ossos, colados. Mas a mente... a mente dela decidiu vagar por lugares onde eu não podia entrar. Desci as escadas com a camisa social desabotoada, manchas de leite no ombro esquerdo e olheiras que nenhum dinheiro no mundo podia apagar. Na sala de estar, o caos habitual da
Dante O mundo era barulho. Sirenes. Gritos. O som do monitor cardíaco falhando. Mas dentro da minha cabeça, havia apenas um silêncio branco. Eu estava dentro da ambulância. Minhas mãos ainda pressionavam a gaze sobre o peito dela, embora o paramédico tivesse tentado me afastar duas vezes. - O senhor precisa soltar! - ele gritou. - Se eu soltar, ela sangra! - rosnei, e ele viu nos meus olhos que eu mataria qualquer um que me impedisse de tentar salvá-la. - Dirija essa merda mais rápido! Eu olhava para o rosto dela. Pálido. Cinza. A máscara de oxigênio embaçava ritmicamente, cada vez mais fraca. - Não ouse. - sussurrei perto do ouvido dela, ignorando o caos ao redor. - Você não tem permissão para ir, Valentina. Eu não autorizei. Você me ouviu? Eu não autorizei! A ambulância parou no hospital com um solavanco. As portas se abriram. O mundo virou um borrão de luzes fluorescentes e jalecos brancos. - Ferimento por arma de fogo no tórax! Perda massiva de sangue! Pressão 6 por 4! Prep







