INICIAR SESIÓNDamian Moretti
Esther Hawthorne era jovem. Assustada. Frágil demais...
Mas havia algo nela que me chamou a atenção desde o primeiro segundo.
Talvez fossem aqueles olhos cinzas raros, frios, sempre atentos mesmo quando ela tremia. Talvez fosse o jeito como ela tentava se afastar de mim, de um jeito amedrontado, ela queria sumir da minha vista, ou pelo menos, tentar. E o mais importante, ela não sabia o poder que tinha seu sobrenome, disso eu tinha certeza, ela não sabia nada sobre si.
Uma coisa, porém, era certa: Ela era perfeita para o que eu precisava.
E pensar que tudo tinha começado com o tio dela aparecendo na minha porta no momento exato… isso só provava mais uma vez que o destino favorece para quem sabe usá-lo.
E então... ele apareceu... Lucas Hawthorne. Um miserável patético.
Devia dinheiro a meio mundo da máfia, incluindo alguns que estavam prestes a arrancar a pele dele. Sem família, sem títulos, sem dinheiro, sem poder. Não era nada. Apenas um parasita sustentado pelo nome Hawthorne, um nome que ele jamais teria direito de comandar.
Aquele verme. Mas eu teria. Assim que me casasse com Esther.
E seria rápido, eu tinha que pensar em tudo, planejar, queria algo perfeito e não de qualquer jeito. Queria que todos vissem que eu, o Don, seria marido da Esther e teria mais poder do que já tinha.
Eu estava sentado na minha cadeira de couro, no escritório, observando a cidade pela janela enquanto planejava meus próximos passos. O sol já estava começando a se pôr, tingindo tudo de laranja profundo. Eu apoiava os dedos sobre a mesa, batendo de leve, enquanto deixava meus pensamentos se organizarem.
O tio dela havia vindo até mim quase implorando para que eu a comprasse. Ele achava que estava fazendo um grande negócio. Mas a verdade é que eu já estava planejando isso antes mesmo de ele aparecer.
Eu só precisava de uma oportunidade.
E ele trouxe a peça certa no tabuleiro, empurrando-a bem para as minhas mãos.
Eu sempre movi meus homens como peças de xadrez.
E agora… eu tinha a jogada perfeita.
A lembrança dela tentando fugir mais cedo arrancou um sorriso do meu rosto.
O jeito como seus olhos arregalaram quando me viu no corredor…
A boca entreaberta de pavor…
O corpo encolhido contra a parede, incapaz de escapar…
Ela era tão previsível. Tão vulnerável. Tão fácil de quebrar se eu quisesse. E ainda assim… havia algo ali. Algo que me empolgava mais do que deveria. Ela era minha. Mesmo que não aceitasse isso ainda. E se ousasse brincar comigo… Bem, ela aprenderia rápido a se arrepender.
Ninguém me desafia. Ninguém.
Em breve, eu me casaria com ela. Abriria as portas do império dos Hawthorne, um império que deveria ter sido meu desde o início e colocaria meu nome em mais países, mais territórios, mais negócios.
Poder atraía medo, e medo mantinha tudo funcionando. E eu conquistaria cada parte disso.
Após revisar alguns documentos, finalizei ordens, fiz anotações e enviei instruções aos meus homens. O escritório estava silencioso, exceto pelo som constante da caneta batendo contra a mesa enquanto eu pensava.
Por fim, decidi fazer uma ligação.
Peguei o celular e disquei o número. Em poucos segundos, uma voz familiar atendeu.
— Daniel.
Meu sócio mais confiável. Amigo de anos. Alguém que entendia o jogo tanto quanto eu.
— Damian. Achei que você tivesse sumido. — ele disse, rindo.
— Longe disso. — Eu relaxei na cadeira. — Tenho novidades. — disse, esboçando um largo sorriso.
— Boas? — ele parecia curioso.
— As melhores. Consegui exatamente o que queria. — inspirei fundo.
Ouvi o silêncio dele por um segundo, seguido de um assovio.
— Conseguiu a garota?
— Consegui tudo — respondi. — O tio idiota dela a vendeu. Estava devendo a outros mafiosos e não tinha saída. Fez o que um miserável faria.
Do outro lado da linha, Daniel começou a rir.
— Impressionante, Damian. Você sempre consegue o que quer.
— Eu sempre planejo antes. Ele só acelerou o processo.
— O que me interessa saber é… — Daniel mudou o tom, curioso. — Ela é bonita? Vai servir como esposa? Porque pelo menos o sobrenome dela vale muito. Mas, para ter herdeiros… ela precisa ser apresentável. — comentou, dando uma leve risada.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Não porque não soubesse responder, mas porque a imagem dela surgiu sozinha na minha mente. Cabelos negros, longos. Pele branca demais, quase transparente. As sardas no rosto... Os olhos cinzas frios, assustados, mas absurdamente marcantes.
Eu não pensei nisso na hora da venda. Não me importava com a aparência. Eu queria o nome. O poder. A entrada para o que pertencia à família dela. Mas agora…
Agora eu lembrava do jeito como ela me olhou no corredor. Como tremeu. Como tentou se afastar, mesmo sabendo que não podia. Sim. Ela tinha beleza. Uma beleza diferente, delicada, quebrada. E aquilo me agradava. Senti um sorriso subir lentamente pelos meus lábios.
— Você a verá em breve, Daniel — respondi, ainda com aquela imagem fixa na cabeça. — E então você me diz se ela é bonita. Vai ficar em choque, meu caro.
Daniel riu outra vez.
— Então está feito. Quando é o casamento?
— Em breve, não quero nada às pressas, mas será mais rápido do que imagina.
— Claro que será. — Ele suspirou com diversão. — Parabéns, Damian. Você acabou de subir mais um degrau.
— Eu sei. — Minha voz saiu firme, precisa. — E ainda há muitos outros pela frente.
Nos despedimos e desliguei.
O escritório voltou ao silêncio absoluto. A luz do fim de tarde pintava as paredes em tons escuros, projetando sombras longas. Eu permaneci ali, em pé, observando minha própria reflexão no vidro.
Eu, Damian Moretti, aos vinte e oito anos, comandava um império.
Mas em breve… teria outro, bem maior. Mais poderoso. Com raízes profundas demais para qualquer inimigo arrancar. E Esther Hawthorne era a chave disso tudo. Ela ainda não sabia. Nem imaginava. Mas logo, muito em breve… Ela seria minha esposa. Minha posse. Minha arma.
E todos que ousassem me desafiar aprenderiam, mais uma vez, o que significa enfrentar o Don.
Damian Moretti.— Você vai me contar tudo.Inclinei um pouco mais o rosto.— A não ser… que prefira que eu coloque seus miolos para fora aqui mesmo.Mason ficou alguns segundos me encarando.O sangue escorria pelo rosto dele, manchando a camisa e pingando no chão de mármore. Mesmo machucado, ainda havia alguma coisa naquele olhar.Um sorriso. Pequeno. Sujo.Aquilo fez meu sangue ferver.— Você acha que eu tenho medo de você? — ele perguntou, cuspindo um pouco de sangue no chão.Fiquei em silêncio.A arma continuava encostada na testa dele.— Não. — respondi. — Acho que você já entendeu que deveria ter medo.O sorriso dele aumentou.— Então talvez devesse perguntar quem está por trás disso.Meu maxilar travou.— Estou perguntando.— Você não vai gostar da resposta.Apertei a arma contra a testa dele.— Fale.Mason respirou com dificuldade e soltou uma risada baixa.— Foi alguém que sabe que você está ficando poderoso demais, Damian. Alguém que sabe que seu império está crescendo rápido
Damian Moretti.A fumaça do cigarro subia devagar no meu escritório escuro, se espalhando pelo ar pesado enquanto eu encarava os relatórios sobre a mesa. Papéis, rotas, horários, movimentações.Nada ali parecia aleatório. Nada. O ataque no gramado não tinha sido sorte. O atirador sabia exatamente onde Esther estaria, em que momento, em qual parte da mansão. Ele tinha informação demais. Precisão demais. Isso significava uma coisa. Alguém estava falando. Alguém dentro da minha casa.Meu maxilar travou enquanto eu levava o copo de uísque aos lábios. O líquido desceu queimando, mas não o suficiente para apagar a irritação crescendo dentro de mim. Marcus morto. Esther sendo observada. Um atirador escondido nas colinas com uma foto recente dela.Aquilo não era só um ataque. Era infiltração. Era traição. E eu odiava duas coisas naquele mundo: fraqueza… e traição. Meu telefone tocou sobre a mesa. Peguei no segundo toque.— Fale.A voz do outro lado era de um dos meus homens. Um dos poucos em
Esther Hawthorne.O silêncio dentro do quarto estava me sufocando. Eu andava de um lado para o outro, os passos inquietos, descompassados, como se o movimento pudesse organizar o caos dentro da minha cabeça. Mas não organizava. Nada organizava.Tudo estava uma confusão, primeiro, pensava em Marcus, o que houve naquele dia foi estranho demais, rapido demais, depois, foi o tiro, o tal atirador, que estava escondido, eu não consegui o ver. O medo que ainda estava preso no meu peito como um nó apertado demais. Eu passei a mão pelo cabelo, respirando fundo, tentando me acalmar, mas era impossível. Estava acontecendo tudo rápido demais.Quem matou Marcus? Quem tentou atirar hoje? Era o mesmo inimigo? Era alguém diferente? E por quê? Por que tudo isso estava acontecendo… comigo?— Droga… — murmurei baixo, parando no meio do quarto.Eu não sabia de nada. Nada. E isso… Era o pior de tudo.Fechei os olhos por um segundo, tentando pensar com clareza, mas só vinha mais perguntas. Mais dúvidas. M
Damian Moretti.O som ainda ecoava na minha cabeça. O disparo... e estava próximo demais.Meu corpo reagiu antes da mente terminar de processar, puxando Esther contra mim, rolando com ela pelo gramado, protegendo, cobrindo, impedindo que qualquer outro tiro encontrasse o alvo que queriam atingir.Porque agora estava claro. Aquilo não era um aviso qualquer. Era um ataque direto.Minhas mãos ainda estavam firmes na cintura dela, sentindo o tremor leve do corpo sob o meu. Os olhos dela… estavam diferentes. Assustados. O pânico ali era real, cru, sem máscara. E aquilo… Me deixou furioso.— Respira. — murmurei, firme, autoritário, tentando manter o controle naquele caos que se formava ao nosso redor.Mas meus olhos… já estavam em outro lugar, procurando, calculando, caçando quem fez isso. E quando descobrisse, iria pagar com a vida. — Don! — um dos meus homens gritou, se aproximando com cautela. — Movimento na colina.Meu maxilar travou, claro, era um atirador à distância, covarde. Minha
Esther Hawthorne.O cheiro da grama ainda úmida invadiu meus sentidos assim que pisei no gramado, mas não foi isso que prendeu minha atenção.Foi ele. Damian. Ele estava de pé, no centro, cercado por homens armados, falando com firmeza, dando ordens com aquele tom que não aceitava questionamentos. Os seguranças estavam mais numerosos do que antes. Mais atentos. Mais tensos. Alguns com as mãos próximas às armas, outros analisando cada canto como se esperassem que algo acontecesse a qualquer segundo.E talvez esperassem mesmo. Não podíamos baixar a guarda, sei que Damian e seus olhos estão sempre alertas. Eu dei mais alguns passos, sentindo o peso daquele ambiente diferente. Mais fechado. Mais perigoso. Mais real. Eles estavam em alerta. Todos. Por causa do que tinha acontecido dias atrás.Por causa de Marcus.Meu peito apertou levemente com o pensamento, mas não parei. Continuei andando, firme, até que Damian virou o rosto na minha direção. Ele me viu. Claro que viu.Os olhos dele pas
Esther Hawthorne.O som da escova deslizando pelos meus cabelos era o único ruído dentro do quarto naquela manhã.Mas nem isso era suficiente para acalmar a confusão dentro da minha mente. Dias tinham se passado… e ainda assim, eu não conseguia esquecer.Sobre o Marcus. O jeito que ele falou comigo. O que ele disse… e principalmente… o que ele não disse.Ele iria me contar tanta coisa, estava nítido em seu olhar e agora, não iria saber de nada. Porque... Ele morreu, daquele jeito, tão rápido. Foi tudo tão silencioso, estranho demais. Meu estômago se apertou enquanto eu parava o movimento por um segundo, encarando meu reflexo no espelho.Quem tinha feito aquilo?Por quê?E… o mais importante… Ele morreu por minha causa?A ideia me atingiu com força. Se ele não tivesse falado comigo… Se não tivesse se aproximado…Ele ainda estaria vivo? Respirei fundo, tentando afastar aquele pensamento antes que ele se tornasse insuportável.Não. Aquilo não era coincidência. Era um aviso. E eu estava







