Se connecterEu ainda não gostava de cozinhar, então sempre frequentava uma lanchonete no andar de baixo do escritório.Sentia medo de dormir sozinha, mas meu novo apartamento contava com um sistema de segurança de última geração. A empresa até organizava aulas táticas de autodefesa durante as integrações mensais da equipe, ensinando-nos a lidar com situações de perigo.Assim, todas as inseguranças que um dia pensei que só poderiam ser acalmadas por um relacionamento foram desaparecendo em silêncio, uma por uma, em uma nova cidade e uma nova vida.Se eu tivesse encontrado coragem para deixá-lo mais cedo, talvez essa vida tranquila já fosse minha havia muito tempo.Alguns meses depois, durante um feriado prolongado, alguns colegas simpáticos, ao me verem sempre trancada no quarto estudando, insistiram em me levar de carro até a praia.Quando saí naquele dia, encontrei Ronan inesperadamente.Ele acabava de sair da cafeteria da esquina, em frente ao prédio da nossa empresa.Só então me lembrei
Os olhos dele começaram a ficar vermelhos.— Eu nunca vou deixar você ir embora! Prefiro morrer a terminar com você! Aurora, eu fui um canalha, mas aquele jogo foi há seis anos.A voz dele tremia enquanto tentava se explicar.— Eu realmente me apaixonei por você. O que eu sinto por você é real.— Um começo ruim não significa que não possamos ter um bom final. Você mesma me disse isso. Talvez isso seja destino, talvez nós sempre estivemos destinados a nos encontrar, de um jeito ou de outro.Balancei a cabeça.— Mas meu destino jamais envolveria um homem que só me trouxe mentiras, humilhação e dor. Você entende?Ele ficou parado ali, atordoado, enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto sem aviso. Durante todo o tempo em que estivemos juntos, eu quase nunca o vi chorar.Dizem que as lágrimas de um homem são a fraqueza de uma mulher. Mas, vendo Ronan chorar, eu não senti nada. Talvez porque lágrimas de crocodilo fossem falsas por natureza.As lágrimas de alguém como ele, alguém que
O frágil fio de esperança ao qual Ronan se agarrou durante todo o caminho até ali finalmente se rompeu.As pernas dele cederam, e Ronan escorregou pela parede, quase desabando no chão.A mão que normalmente permanecia firme ao segurar uma arma tremia contra a parede. Seus olhos estavam injetados de sangue, e sua mente era um caos.— Isso... Isso é impossível. Ela não comentou nada. Vocês forçaram ela a pedir transferência?A supervisora balançou a cabeça, falando com pena:— Não. Isso foi finalizado uma semana atrás. Eu tentei convencê-la a ficar. No começo, ela estava hesitante, mas ontem à meia-noite me ligou para confirmar tudo. Disse que já tinha reservado o primeiro voo para ir embora.Ela fez uma pausa antes de continuar:— Ela não contou ao senhor? Bem, agora não há mais nada a fazer. Ela finalizou toda a documentação ontem à noite. Hoje demos folga para que ela arrumasse as coisas.Naquele instante, ele finalmente entendeu: quando Aurora disse que eles estavam terminand
Naquele instante, foi como se o mundo inteiro ficasse em silêncio.O rosto de Ronan perdeu toda a cor.— Alta? Que tipo de brincadeira é essa? Ela acabou de acordar, não conseguiria sair sozinha. Tem certeza de que viu a pessoa certa?A enfermeira franziu a testa e folheou a ficha em suas mãos.— Não tem erro. Aurora. Esse é o nome. O senhor não sabia que sua própria namorada recebeu alta? Vocês dois devem ter brigado feio, agora entendi por que ela chorava daquele jeito.Ela suspirou, colocou a ficha debaixo do braço e se virou para sair.Ronan ficou congelado no lugar.Ele não sabia que suas próprias pernas podiam ficar tão fracas, quase incapazes de sustentá-lo. Um suor frio cobriu suas palmas.Com a mão trêmula, puxou o celular e discou o número de Aurora. Ligou mais de dez vezes. Ou ninguém atendia, ou a chamada caía direto na caixa postal.Recusando-se a desistir, ele arrancou o celular de Clara e tentou de novo, apenas para ouvir a mesma voz mecânica e fria.Foi então
No silêncio do quarto da clínica, Ronan estava sentado ao lado da cama fazia mais de dez minutos. A tela do celular continuava escura.De repente, ele se lembrou do som fraco de passos no fim do corredor.Naquele momento, chegou a pensar em se levantar para verificar, mas Clara o puxou de volta pela manga.Um pressentimento ruim brilhou dentro dele, uma sensação de que as coisas estavam saindo do controle. Porém, ele esmagou aquele pensamento quase no mesmo instante.Impossível.Conhecendo a natureza teimosa e direta de Aurora, ele imaginou que, se ela tivesse ouvido alguma coisa, teria entrado ali na hora e o confrontado.— No que você está pensando? Seu bichinho precioso ainda não voltou rastejando? Se ela continuar com aquela atitude comigo, eu nem vou me dar ao trabalho de pedir desculpas pela metade.Clara passou os braços ao redor do pescoço dele, com um tom impaciente.A sobrancelha de Ronan se contraiu. Pela primeira vez, um gesto que ele conhecia desde sempre provocou
Empurrei Clara para longe com toda a força que ainda me restava.Minha mão foi instintivamente até o rosto para coçar, mas o menor toque fez uma onda de dor arrepiante atravessar minha pele.— Cof... cof... Meu rosto... O que era aquilo?Ronan saiu correndo do quarto e congelou no instante em que me viu. Ele agarrou o pulso de Clara, e sua voz saiu afiada de fúria.— Você disse que só ia trocar o perfume dela! Como o rosto dela reagiu desse jeito?!Ele a encarou com os olhos sombrios.— Que diabos você está tentando fazer?Clara arrancou a mão do aperto dele. Seu rosto estava corado, e seus lábios tremiam.— Eu... Eu não sei! Só peguei um frasco qualquer!Ela parecia ofendida, como se também fosse vítima naquela situação.— Como eu ia saber que ela era tão delicada? Além disso, foi você quem reclamou alguns dias atrás que odiava o perfume sem graça dela. Você praticamente me deu permissão para fazer isso!O produto químico agressivo fez meu corpo tremer, e minha pele começou







