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Capítulo 05 - Sem Escapatória

last update Data de publicação: 2025-03-13 22:30:26

Kate Ferreira

Selena dançava ao nosso lado como se não houvesse amanhã, enquanto Clara ria do exagero da nossa amiga. Eu, apesar de hesitar antes de aceitar o convite para sair, estava feliz por ter vindo. Fazia tempo que eu não me soltava assim. A música alta fazia meu corpo reagir naturalmente, balançando no ritmo. Os olhares ao redor eram inevitáveis, mas eu estava focada em me divertir.

Então, comecei a passar meus olhos pelo lugar, observando as pessoas e quem sabe alguém interessante, mas meus olhos pararam em uma pessoa específica. Na área VIP, Ricardo estava sentado com mais dois homens, rindo de algo que um deles falava. Ele parecia tão à vontade, tão no controle, que por um instante me peguei admirando a forma como ele dominava o ambiente sem esforço. Meu olhar demorou um pouco mais do que deveria, e foi quando percebi que ele estava olhando de volta. Aquele olhar direto, penetrante, como se pudesse desvendar tudo o que eu tentava esconder.

— Kate, você tá bem? — Clara perguntou, cutucando meu braço.

— Tô... É que... — Hesitei antes de continuar, me inclinando levemente para perto delas. — Ricardo também tá aqui.

Clara não perdeu tempo e virou o rosto na direção que eu apontei, enquanto Selena soltava uma risadinha.

— Ricardo é aquele seu chefe gostoso? — Selene perguntou e concordei, fazendo ela rir maliciosa.

— E daí? Por que você tá assim, toda impactada? — Clara perguntou, com um tom provocador.

— Não tô impactada — retruquei, mas minha voz não saiu tão firme quanto eu gostaria.

Clara deu uma risada curta, balançando a cabeça.

— Ah, para, Kate. Todo mundo no trabalho já percebeu o jeito que ele te olha. Esse homem é louco por você.

— Louco por mim? — Revirei os olhos, tentando disfarçar o desconforto. — Vocês tão vendo coisa onde não tem.

— Será? — Selena arqueou a sobrancelha, com um sorriso travesso. — Ou será que você tá fingindo que não percebe?

— Vocês tão viajando — insisti, tentando acabar com a conversa.

Mesmo enquanto negava, era impossível ignorar o olhar constante de Ricardo na minha direção. Ele não disfarçava, e aquilo mexia comigo mais do que eu queria admitir.

Depois de um tempo dançando, decidi buscar mais bebidas. Gostava de cuidar das minhas amigas nessas noites e me ofereci para ir ao bar. Caminhei até o balcão e pedi um balde com algumas garrafas. Enquanto esperava, senti alguém se aproximar.

— Oi, gata. Tá sozinha?

Virei o rosto e encontrei um homem que, embora não fosse feio, tinha uma expressão prepotente e um sorriso ensaiado.

— Tô com minhas amigas — respondi, tentando ser breve.

Ele ignorou completamente minha resposta e se inclinou mais para perto.

— Ah, mas eu aposto que elas não vão se importar se eu te roubar por uns minutos.

Antes que eu pudesse responder, uma voz masculina e grave veio de trás de mim.

— Ela não tá interessada.

Eu sabia quem era antes mesmo de me virar. O arrepio que percorreu meu corpo não deixava dúvidas.

Ricardo estava parado ao meu lado, os braços cruzados e um olhar firme direcionado ao homem. A presença dele era intimidadora, e o desconhecido não demorou a recuar, murmurando algo inaudível antes de desaparecer no meio da multidão.

Ainda tentando entender o que acabara de acontecer, me virei para Ricardo, confusa.

— Quê que foi isso?

Ele descruzou os braços, os olhos descendo brevemente pelo meu corpo antes de voltar ao meu rosto.

— Só achei ele com cara de idiota.

— E o que isso tem a ver comigo? — Cruzei os braços, encarando-o.

— Você não merece um cara assim — respondeu, sério.

Arqueei a sobrancelha, intrigada. — Ah, é? E, na sua opinião, que tipo de homem eu mereço?

Ele deu um passo à frente, aproximando-se mais do que deveria.

— Alguém que te admire de verdade. Que saiba o quanto você é incrível e que não te trate como uma conquista fácil. Especificamente um homem de um metro e noventa e três, com músculos, um cabelo castanho e olhos verdes.

Minha respiração falhou por um momento, mas mantive a compostura.

— Tá falando de alguém específico?

Um sorriso de canto surgiu em seu rosto.

— Talvez.

Eu ri, incrédula, balançando a cabeça.

— Você tá brincando, né?

— Eu não brinco sobre coisas importantes.

O tom sério na voz dele me deixou sem palavras. O que ele queria dizer com aquilo? Por que estava dizendo isso agora? Por que esses flertes não estão parecendo apenas brincadeira?

Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, ele quebrou o silêncio:

— O que foi? O gato comeu a sua língua?

Soltei uma risada sem graça antes de responder — Tenho que voltar pra minhas amigas!

Peguei o balde com as bebidas e caminhei de volta para a mesa antes que ele dissesse mais alguma coisa que me deixasse ainda mais confusa, minha cabeça estava uma bagunça. Ricardo não era o tipo de homem que fazia esse tipo de coisa, mas, de alguma forma, ele tinha me defendido de um desconhecido e, de quebra, praticamente me dito que eu merecia algo... mais.

Enquanto Clara e Selena riam e bebiam, olhei de relance para a área VIP. Ele estava de volta ao seu grupo, mas seus olhos não estavam nos amigos. Eles estavam em mim.

Desviei meu olhar, voltando para Clara e Selena, que pareciam competir quem bebia uma dose de uísque primeiro. Peguei um copo e entrei na brincadeira. Depois de um tempo bebendo, as meninas resolveram ir no banheiro, e eu fiquei para cuidar das nossas coisas.

A festa parecia perfeita, gente bonita, música boa, um clima de pura diversão, mas eu não conseguia parar de pensar em Ricardo. Por mais que eu quisesse negar, o olhar dele tinha ficado na minha cabeça.

De repente, senti uma presença ao meu lado. Quando virei o rosto, lá estava ele. Com aquele sorriso provocador e os olhos que me analisavam sem disfarçar nada.

— Tá tentando fugir de mim, Kate? — Ele perguntou, a voz carregada de ironia.

— Fugir? Por que eu fugiria de você? — Retruquei, tentando soar casual, mas meu coração estava disparado.

Ele deu uma risada curta, daquele jeito que só ele conseguia fazer, como se soubesse de algo que eu não sabia.

— Só achei que você tava quieta demais pra alguém que veio se divertir

— Tava aproveitando o momento sozinha.

Ele se inclinou ligeiramente, apoiando uma mão no encosto da cadeira ao meu lado, diminuindo ainda mais a distância entre nós.

— Pode ser, mas acho que esse clima não combina muito com você.

Levantei uma sobrancelha, tentando manter a pose.

— E o que combina comigo, então?

— Tudo isso que você é. — Ele apontou com o olhar, subindo e descendo discretamente, como se me analisasse por completo. — Uma mulher que chama atenção sem nem precisar tentar.

O ar parecia mais quente de repente. Eu engoli seco, tentando não deixar que ele percebesse o efeito das palavras.

— Você tem uma forma interessante de falar as coisas, Ricardo. Parece ensaiado.

Ele riu de novo, dessa vez mais baixo, quase um sussurro.

— Isso não é ensaio, Kate. É só você.

Antes que eu pudesse responder, ele se aproximou mais um pouco.

— Posso te perguntar uma coisa? — Perguntou colando nossos corpos, pude sentir seu hálito bem perto de mim.

— Pode — falei, meio sem pensar, tentando entender onde ele queria chegar.

— Posso te beijar, Kate? — a pergunta soava autoritária, enquanto ele aproximava o rosto do meu.

Minha mente congelou por um instante. Ele não estava brincando, nem provocando. Aquilo era uma pergunta direta, e o jeito como ele olhava pra mim deixava claro que a decisão era minha.

Eu não respondi de imediato, mas não desviei o olhar. E então, com um leve movimento de cabeça, consenti.

Ele não hesitou. A mão dele foi para minha cintura, puxando-me para perto. Seus lábios encontraram os meus, e tudo ao redor desapareceu. O beijo começou lento, como se ele estivesse experimentando, mas logo se tornou mais intenso, mais urgente, cheio de fogo.

Minhas mãos subiram para os ombros dele, e eu senti o calor que vinha do corpo dele. A forma como ele me segurava era ao mesmo tempo firme e cuidadosa, como se soubesse exatamente o que estava fazendo.

E, claro, ele sabia.

Quando finalmente nos afastamos, eu estava sem fôlego. Ricardo me olhou com um sorriso satisfeito, enquanto ainda mantinha uma das mãos na minha cintura, descendo para minha bundå

— Você não me escapava hoje, Kate. — ele disse, a voz rouca, carregada de algo que parecia desejo misturado com certeza.

Antes que eu pudesse responder, ele deu um passo para trás, passando uma mão pelos cabelos e lançando um último olhar intenso.

— Aproveita sua noite, Kate.

E então ele foi embora, deixando-me ali, com o gosto do beijo ainda nos lábios e uma confusão de pensamentos.

Poucos segundos depois, Clara e Selena voltaram para a mesa. Selena estava animada como sempre, mas foi Clara quem percebeu algo estranho no meu rosto.

— O que foi? Tá com uma cara... diferente.

— Nada. — Tentei sorrir, mas não convenci.

— Ah, conta logo. O que foi? Quem tava aqui? — Clara insistiu.

Suspirei.

— Ricardo.

Selena arregalou os olhos, e Clara levou a mão à boca, chocada.

— O quê? — Clara praticamente gritou. — Ele tava aqui? O que ele queria?

— Só... conversar. — Dei de ombros, tentando minimizar o que tinha acabado de acontecer.

Mas enquanto elas especulavam, minha cabeça estava a mil. O que aquilo significava? O que ele queria realmente?

E, mais importante: como isso ia complicar as coisas entre nós no trabalho?

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