Mag-log in"Valentina" No meio da tarde eu já tinha preparado o quarto de hóspedes com a ajuda da D. Marta. A suíte havia se transformado em um verdadeiro camarim para a preparação para a noite de sábado. A Tati e eu havíamos combinado de nos arrumar juntas, como estávamos acostumadas a fazer sempre que saíamos juntas. E quando ela chegou, a Mansão Montenegro estremeceu com o alvoroço ruidoso que a minha amiga e eu armamos. - Atenção, atenção! - A Tatiana estacou na porta de entrada fazendo pose como se tivesse chegado na ponta de uma passarela. - Eu sei que a espera foi dolorosa, mas o milagre aconteceu. Tatiana Elisa Santana chegou!Enquanto a Aurélia torcia o nariz e o Otto bufava, a Tatiana entrou lindamente como se fosse a "Beyoncé" prestes a dançar "Single Ladies". Então eu fiz questão de colocar a trilha sonora no meu celular no máximo volume e no segundo seguinte nós estávamos dançando a coreografia no meio do hall de entrada, para total horror da Aurélia e do Otto. - Gente, que clima
"Dante"Suportar a mesa de café da manhã com a Aurélia, o Otto e o Breno torcendo os narizes para a Valentina era irritante e me fez arrepender de ter encerrado a minha sessão de beijos matinais com a Valentina. Mas eu precisava descobrir logo qual dos abutres estava me envenenando e para isso eu precisava colocar o meu plano em prática.No entanto, a Aurélia parecia particularmente animada para destilar o seu veneno dissimulado, sentindo-se segura por estar ladeada pelo palhaço do Breno e pelo meu primo adulador. - D. Marta, o novo suco funcional do Dante chegou? - A Valentina, agindo com a sua responsabilidade prática e cumprindo a promessa de me ajudar, cobrou a bebida da governanta.- Sim, Valentina, eu vou buscar imediatamente. - A governanta respondeu e se retirou.A Aurélia ajeitou um fio de cabelo imaginário fora do lugar e, com uma postura impecável, ostentou um meio sorriso cínico antes de soltar uma alfinetada venenosa e irritante contra a Valentina.- Ora, dançarina… pare
"Dante" Eu fui até a Valentina, joguei o seu telefone de lado e sem dar tempo para reclamação cobrei o meu beijo de bom dia. Eu precisei de um esforço enorme para me afastar um pouco dela e interromper o que aquele beijo causou. O suspiro pesado dela me disse tudo, eu estava me afastando de novo e ela não estava satisfeita. - Fala, Dante Montenegro! O que é tão importante para você querer conversar algo sério antes do café da manhã? - Valentina Montenegro, eu sei que nós estamos nos controlando há alguns meses com esses beijos indecentes que a senhora me dá e...- Ah! Eu te dou beijos indecentes? A cara do cidadão nem queima! - Ela bufou e finalmente escancarou a sua frustração. - Sabe, Dante, você é um grande cínico. Quando não podia fazer certas coisas ficava aí me provocando o tempo inteiro, agora que o médico liberou foge de mim como o diabo foge da cruz. - Você tem um jeito peculiar de ver as coisas. - Eu comecei a rir. - Mas você está enganada, eu não estou fugindo de você.
"Dante"Eu apoiei os cotovelos na madeira de mogno do escritório dos fundos e coloquei a cabeça entre as mãos, sentindo o peso do meu desespero finalmente quebrar o meu autocontrole ensaiado. O Murilo me encarou com a seriedade solene de um irmão preocupado.- Se abre comigo, Dante. É a mentira que você está sustentando para a Valentina que está te assombrando, não é?! - O meu amigo perguntou baixo.- Também. Mentir para ela não é fácil, me deixa desconfortável, mas eu não posso contar agora, Murilo, e você conhece as razões. Mas o caso é que eu estou há meses inativo... e a Valentina só precisa piscar para mim para me deixar numa situação delicada. Eu tenho medo de... - Eu estalei a língua, pronunciar aquilo em voz alta era constrangedor. - Fala logo, Dante! Nós somos amigos! - Eu tenho medo de não conseguir me controlar e chegar lá cedo demais, entende? Ou de não conseguir manter a rigidez e falhar. Foram meses como celibatário, Murilo, eu não sei como vai ser voltar a ativa, aind
"Dante"Eu fechei a porta do meu escritório ainda tentando controlar as batidas frenéticas do meu coração. Eu estava queimando por dentro, o cheiro da Valentina no meu corpo me virando o juízo, o gosto dela impregnando a minha boca. A Valentina deixou as intenções dela escancaradas para mim com aquela mini camisola rosa enfeitando o seu corpo. Ela tinha poder demais sobre mim, já me deixava louco quando não queria me seduzir, agora que ela sabia que eu não corria nenhum risco, ela arrancaria a alma do meu corpo com as suas ideias boas demais.- Saiu para correr, Dante? - O Murilo perguntou atrás de mim. - Eu...? Por que? - Eu me virei devagar e vi o Murilo e o Fausto me encarando.- Sei lá... você está ofegante, despenteado, um pouco vermelho... - O Murilo comentou e eu passei a mão no cabelo, só então me dando conta do sorrisinho sacana dele para mim. - Você não me tirou do meu repouso a essa hora para ficar de gracinha, não é, Murilo? - Eu desviei o olhar e fui me sentar na minha
"Valentina"No fim do dia, tinha sido um ótimo dia, apesar do Aroldo e de toda a corja de encostados. Apesar de que, uma coisa ainda estava me incomodando, ou melhor, uma pessoa, específicamente a que atendia por Dante Montenegro e encheu os meus ouvidos de palavras bonitas essa manhã. Ele tinha falado muito, mas até aquele momento não tinha feito nada! O Dante Montenegro estava agindo de forma estranha, e aquilo estava começando a me fazer pensar. Ele havia retornado de Boston com a notícia de que não havia mais restrição física e, por tudo o que já havia acontecido entre nós, eu pensei que ele não esperaria mais nem um segundo para arrancar a minha roupa e extravasar todo o tesão reprimido. No entanto, ele continuava contido. Ele me cobria de mimos, me tratava como se eu fosse preciosa e estava sendo extremamente carinhoso, mas não fazia nenhuma gracinha. Não entrou no banheiro enquanto eu tomava banho de manhã e nem me agarrou enquanto eu trocava de roupa no closet. Tinha algo e







