Donatella O ar entre nós estava pesado, carregado com o peso das palavras não ditas e as feridas que ainda latejavam, frescas, como se tivessem sido infligidas há apenas um segundo. Raphael estava ali, diante de mim, ocupando cada centímetro do meu espaço vital, sua presença magnética como um campo gravitacional do qual eu não conseguia, ou talvez não quisesse, escapar. Ele era o meu veneno e o meu antídoto, uma contradição ambulante que me fazia odiar cada batida do meu próprio coração enquanto ele estava perto.Tentei desviar o olhar. Fixei-me na moldura da janela, em qualquer detalhe que não fosse a intensidade dos olhos dele. Mas, mesmo sem vê-lo diretamente, eu sentia o calor que emanava de seu corpo. Era uma pulsação constante, uma eletricidade que fazia os pelos dos meus braços se arrepiarem, apesar da minha mente gritar para que eu me mantivesse fria, distante, protegida."Donatella", ele disse, sua voz um rosnado baixo, quase um pedido de desculpas, mas que carregava a auto
Última actualización : 2026-08-05 Leer más