Lyra saiu da sombra como quem já conhece o caminho da noite, a luz da lua desenhou prata no cabelo e nos olhos, e, por um instante, Lua se sentiu criança outra vez, achando que nada no mundo ruim conseguiria atravessar sua mãe. O instante passou quando o cheiro de sangue, humano, lobo, prata e química, veio da direção dos muros. Lyra sentiu a dor de seu companheiro pelo vínculo e mordeu o lábio com um pouco de força respirando fundo.Mesmo assim, não correu na direção do marido, sabia que precisava estar ali, então olhou o monstro diante dela, alto, deformado e, de algum modo, inteiramente frágil, e depois a filha, as mãos ainda sujas de soro e pomada, o olhar que misturava vergonha e também coragem.— Mãe, eu… — Lua começou, as palavras se atropelando de culpa.Lyra ergueu uma mão e o gesto bastou para as três bocas se calarem de uma vez. A Luna deu um passo a mais e fez algo que Tailon não esperava ver ninguém fazer diante de uma criatura com garras: estendeu as próprias mãos.— Ca
Última actualización : 2025-09-28 Leer más