RENZO ALTIERI Segurei a mão pequena e fria do garoto, dando o primeiro passo para fora daquele cubículo fétido. Assim que desci o primeiro degrau da escada, senti os dedos dele se fecharem ao redor dos meus com uma força inesperada, um reflexo de puro pânico. Olhei para trás. Ele apertava as revistas velhas contra o peito como se fossem sua única âncora no mundo, com os olhos marejados fixos nos degraus à frente. — Está com medo? — perguntei, suavizando o tom da minha voz. Ele assentiu devagar, os lábios trêmulos. — Eu estou aqui. — disse, garantindo que o tom saísse firme e reconfortante. — Ninguém vai machucar você. O garoto me encarou por um segundo, absorvendo minhas palavras, e soltou um suspiro trêmulo. Desci mais um degrau, dando espaço para ele vir e confiar em mim. Com cautela, ele desceu o primeiro pé, depois o outro. Descemos devagar, degrau por degrau. Mas, quase no último degrau, as pernas dele vacilaram, cedendo ao peso da exaustão e da desnutrição. Fui mais
Última atualização : 2026-08-18 Ler mais