A ligação chegou pouco depois da meia-noite.Não tocou. Vibrava.O celular de Ana deslizou lentamente sobre a mesa de madeira, como se tivesse vontade própria, atraído pela beira. O som era baixo, insistente, íntimo demais para ser ignorado. Rafael despertou no sofá ao mesmo tempo que ela estendeu a mão, os dois trocando um olhar que dispensava perguntas.Número desconhecido.Ana atendeu sem dizer nada.Do outro lado, silêncio. Um silêncio longo, calculado. Ela quase desligou quando a voz finalmente surgiu, masculina, grave, sem sotaque definido.— Você escolheu bem o palco.O corpo de Ana reagiu antes da mente. Um arrepio percorreu-lhe a nuca, não de medo imediato, mas de reconhecimento. Aquela não era uma ameaça impulsiva. Era alguém acostumado a falar pouco e observar muito.— Quem fala? — perguntou, mantendo a voz estável.Uma breve respiração, quase um riso contido.— Alguém que preferia que você tivesse continuado cavando em silêncio.Rafael aproximou-se devagar, atento à
Última actualización : 2026-04-28 Leer más