A manhã nasceu silenciosa demais. Não era o silêncio comum de uma casa grande ainda acordando, nem aquele respiro tranquilo de um lugar em que todos dormem sob o conforto da rotina. Era outro tipo de quietude. Uma que parecia pairar no ar com peso próprio, como se a própria casa estivesse prendendo a respiração, à espera de alguma coisa que ninguém ainda conseguia nomear, mas que, de algum modo, já estava a caminho.Valentina abriu os olhos devagar, sem se mover de imediato. O quarto ainda estava meio banhado pela luz pálida do amanhecer, filtrada pelas cortinas claras que deixavam entrar um dourado fraco, quase frio. Por um segundo, ficou ali, encarando o teto e sentindo o corpo ainda pesado do cansaço dos últimos dias. O mundo tinha desabado rápido demais ao redor dela — prisão de juiz, escândalos, máscaras caindo, ameaças ficando cada vez menos sutis — e, mesmo assim, ali, naquele quarto, tudo parecia ter retomado uma aparência quase normal. Quase.Ela já sabia que, naquela altura
Última atualização : 2026-04-16 Ler mais