O curso começou numa segunda-feira comum demais para carregar tanto significado. Júlia saiu de casa cedo, mochila leve nas costas, o caderno novo dentro como um segredo bom. Daniel ficou na porta observando, não como quem teme a distância, mas como quem respeita o movimento.— Boa aula — ele disse, beijando-lhe a testa.— Boa espera — ela respondeu, sorrindo.Ele riu.— Não é espera. É torcida.No caminho, Júlia percebeu algo simples e poderoso: não estava nervosa. Estava curiosa. Havia passado anos entrando em lugares com medo de não ser suficiente. Agora, entrava apenas para aprender.A sala era clara, cheia de rostos desconhecidos, vozes novas. Júlia se sentou perto da janela e ouviu. Prestou atenção. Fez perguntas. Em certo momento, pegou-se sorrindo sozinha, tomada por uma sensação esquecida: entusiasmo sem cobrança.Quando a aula terminou, caminhou até o café da esquina e se sentou para anotar impressões. Não sobre pessoas. Sobre ideias. Sobre si. Sentia-se em movimento, não em
Última actualización : 2025-12-23 Leer más