Capítulo 32Débora LummertzQuando recebi o e-mail de Henrique falando sobre Otávio, sobre o aniversário dele e essa conversa patética de “querer estar em família”, simplesmente ignorei. Como sempre.Se existe um papel que nunca quis representar foi o de mãe. Crianças exigem atenção, afeto, entrega, tudo o que eu desprezo.Mas o universo adora rir da minha cara.No mesmo instante, minha mãe ligou. A voz dela vinha carregada de desespero e cobrança, como se o caos financeiro fosse culpa minha, mas na verdade talvez fosse mesmo.Henrique não tinha mais nada comigo, a muito tempo, e segundo ela. As contas estavam acumulando. Penhoras começariam a aparecer.E a solução era prática, ou eu me aproximava dele… ou tudo desmoronava.Inferno.Respirei fundo, contendo a raiva.Vou ser obrigada a responder, a estar presente, Vou ter que engolir o fedelho.E o pai amargurado.Com o pouco que ainda me restava, comprei a passagem e voltei o mais rápido possível. Não por saudade, muito menos por amo
Última atualização : 2026-01-03 Ler mais