Quando o silêncio de uma criança revela o tamanho do erro.CAETANO SIQUEIRA GOUVEIA O quarto estava escuro, mas eu não dormia. Eu deitava. A diferença parecia pequena, mas era um abismo. Meu corpo estava exausto, a mente girando como engrenagem sem óleo, rangendo, insistindo, voltando sempre para o mesmo ponto, o mesmo segundo, o mesmo maldito beijo que eu vi e que ainda queimava na minha retina como se estivesse acontecendo de novo.A casa inteira parecia menor sem a voz dela. Sem o barulho das coisas simples que Serena fazia acontecer sem esforço, como se a rotina tivesse sido criada só para caber nela. Eu fechava os olhos e ainda sentia o cheiro do shampoo dela no travesseiro do quarto de hóspedes, como se o ar tivesse guardado a presença por provocação.E então vinha o choro.Sophie não chorava como quem quer colo apenas. Era um choro que parecia procurar, procurar, procurar, e não encontrar. Um choro que me furava por dentro, porque eu sabia o que ela procurava, eu só não conseg
Última actualización : 2026-02-21 Leer más