POV Emília A alta hospitalar teve o sabor amargo da derrota. Eu saía daquele prédio não com a promessa de uma vida nova, mas com o peso de uma dívida de gratidão e um contrato que agora parecia uma sentença. O trajeto de Buenos Aires até Pilar foi feito em um silêncio sepulcral. Lucca dirigia, mantendo os olhos fixos na estrada, enquanto eu permanecia no banco de trás, observando a paisagem argentina passar como um filme mudo. Eu me sentia oca. Era como se a anestesia do hospital tivesse se tornado permanente, congelando meus nervos e minhas emoções. Quando o SUV blindado cruzou os portões da estância de meus pais, vi a poeira subir sob as rodas, a mesma poeira que, dias atrás, eu achei que seria o tapete para a minha felicidade. Assim que o carro parou, a porta da casa se abriu. — Emília! — O grito veio em coro. Thomas e Téo desceram os degraus da varanda em uma velocidade perigosa. Mateo tentou segurá-los, mas os meninos eram como flechas disparadas. Saí do carro devagar, sent
Última atualização : 2026-04-27 Ler mais