Júlia Cavalcante O pânico é um animal frio que rasteja pela espinha e paralisa os pulmões. Naquele momento, no chão do meu quarto, o ódio por Logan e a descoberta da sua podridão foram varridos por uma urgência muito mais visceral. Outra contração me atingiu, uma onda de choque que parecia querer rasgar meu corpo ao meio. Não estava na hora dos bebês virem ao mundo, eles teriam que estar com 36 semanas para fazermos uma cesária. Eu olhei para o celular. Sabrina não chegaria a tempo. Ela não tinha as sirenes, não tinha o poder de parar o trânsito, não tinha a força bruta necessária para peitar o destino.Eu tinha medo, muito medo. Medo de que o meu orgulho tivesse custado a vida dos meus filhos. Medo de que o meu silêncio tivesse erguido um muro alto demais para ser pulado. Mas, acima de tudo, eu sabia para quem eu tinha que ligar. Meus dedos, trêmulos e suados, discaram o número que eu sabia de cor, mas que me proibi de tocar por meses.Um toque. Dois.— Júlia... — A voz dele veio do
Última atualização : 2026-02-27 Ler mais