Eu não respondi de imediato e o silêncio da pergunta dele não foi vazio. Foi denso. Pesado o suficiente para me esmagar.A pergunta — “E se eu disser não?” — ainda vibrava no ar, pesada, cruel, como se tivesse sido dita só para me medir.Eu quis falar. Qualquer coisa. Mas o som ficou preso. Minha garganta fechou. Por um segundo, considerei mentir. Dizer que daria um jeito. Que sempre há um jeito. Mas eu estava cansada demais para inventar esperança.Ele se virou devagar, as mãos nos bolsos, o olhar distante. Aquele homem tinha um talento estranho para o silêncio — não era o tipo que apenas calava; era o tipo que fazia o outro se perder dentro dele.— Se eu disser não… — repetiu, mais baixo. — O que acontece com você?Meu corpo inteiro pareceu se contrair.— Ela morre — respondi, sem fôlego.As palavras caíram simples. Sem drama. Sem enfeite. E, talvez, por isso, tenham doído tanto. Mas o eco da minha voz ficou pairando; a palavra crua, feia, sem nenhum floreio que pudesse suavizá-la.
Última actualización : 2026-01-14 Leer más