Se alguém tivesse me dito, há uma semana, que eu estaria às três da manhã discutindo com dois seres de três quilos sobre quem deveria dormir primeiro, eu teria demitido essa pessoa por falta de senso. Agora, eu estava ali. De pé, no meio do quarto que havia sido montado em menos de quarenta e oito horas — berços impecáveis, iluminação suave, temperatura controlada, tudo dentro dos parâmetros ideais — exceto o principal: silêncio. Silêncio não existia mais. — Isso não faz sentido — murmurei, olhando para os dois. Um chorava com consistência. Ritmado, insistente, quase profissional. O outro… o outro parecia estar competindo. Como se houvesse um prêmio invisível para quem atingisse o maior volume. Eu apertei a ponte do nariz. — Vocês não podem estar com fome — falei, mais para mim do que para eles. — Comeram há… — olhei para o relógio — quarenta minutos. O choro não parou. Claro que não. Por que pararia? Peguei o primeiro no colo com um cuidado quase cirúrgico. Eu ainda não con
Last Updated : 2026-02-04 Read more