Fernanda VasquesO despertar no Rio de Janeiro tem um som diferente. Não é o estrépito metálico e impaciente de São Paulo, mas um murmúrio constante, um convite rítmico das ondas que parecem sussurrar que o tempo, na verdade, é uma invenção nossa. Abri os olhos devagar, sentindo o lençol de seda macio contra a minha pele. Por um momento, a paz foi tão absoluta que cheguei a me assustar. Procurei o calor do Pietro ao meu lado, mas a cama estava vazia.No lugar dele, sobre o travesseiro, um pequeno pedaço de papel branco.Peguei o bilhete com as mãos ainda trêmulas pelo resquício do sono. Li a caligrafia firme e apressada dele. "Meu amor, aconteceu um problema urgente na obra e precisei sair às pressas para resolver com o Lucas. Volto assim que puder. Por favor, tome café e tente descansar. Eu te amo. P." Suspirei, deixando o papel contra o peito. Uma parte de mim sentiu um aperto, aquele velho medo de que o mundo estivesse tentando roubá-lo de mim, mas a outra parte — a que nasceu o
Última atualização : 2026-05-07 Ler mais