Fernanda VasquesEu acordei devagar.Como se estivesse emergindo debaixo d’água.Abri os olhos e o teto branco do quarto da Clara pareceu girar. Minha cabeça pesava uma tonelada, um efeito colateral do calmante que tentava, sem sucesso, anestesiar o que era incurável. Meu corpo inteiro parecia feito de pedra. Cada músculo doía, cada respiração era pesada demais. Por um segundo, o silêncio do quarto me enganou. Mas então, a memória voltou. O metal frio da mesa, o rasgar do tecido, o peso sufocante... e o nojo.Um soluço seco entalou na minha garganta. Foi quando eu percebi que não estava sozinha.Meu coração disparou.Virei a cabeça devagar.Ele estava ali.Sentado ao lado da cama.Inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas como se estivesse rezando.Pietro.O cabelo dele estava bagunçado, a barba por fazer, a camisa amassada como se tivesse sido vestida às pressas. Os olhos estavam vermelhos, fundos, como se ele não dormisse há dias.Quando percebeu
Última actualización : 2026-03-13 Leer más