MarceloCheguei no escritório às 7h55, como sempre. O passo firme ecoando no corredor. Mas hoje, antes de subir, parei no térreo.A recepcionista, Duda, estava no balcão, grudada no celular, e o segurança, Carlos, folheava um jornal. Resolvi tentar algo diferente.Depois do jantar com minha mãe, das palavras dela ainda girando na cabeça — “Você pode conhecer seus funcionários” —, eu quis mudar.— Bom dia — disse, a voz saindo mais alta do que eu pretendia.Duda arregalou os olhos como se eu tivesse gritado. Carlos deixou o jornal cair no colo, me olhando por cima dos óculos.— Bom dia, senhor Almeida! — Duda respondeu, hesitante, como se achasse que eu estivesse testando ela. Carlos só assentiu, mudo, claramente sem saber o que fazer com aquilo.Subi no elevador sentindo o peso dos olhares deles nas costas. É só um bom dia, pelo amor de Deus, pensei. Mas já sabia: não era normal, vindo de mim.No meu andar, passei pelo pessoal do financeiro que estava na copa.— Bom dia — joguei de no
Última actualización : 2026-03-03 Leer más