Henrique permaneceu alguns segundos em silêncio depois da última frase. Como se ainda estivesse decidindo até onde podia ir sem sentir que estava traindo Giulia. Alessandro não pressionou dessa vez. Só observou. Esperando. Até Henrique finalmente respirar fundo e começar: — A Giulia sempre foi… muito querida por todo mundo. A voz saiu mais distante agora. Como alguém puxando memórias antigas. — Ela era engraçada, inteligente, linda pra caralho… Uma pequena risada sem humor escapou dele. — E parecia leve. Aquilo apertou alguma coisa no peito de Alessandro imediatamente. Porque hoje ele sabia que aquela leveza provavelmente era só superfície. Henrique continuou: — Ela tinha muitos amigos. Inclusive vários da minha sala, mesmo sendo mais nova. Os dedos bateram devagar na mesa enquanto ele lembrava. — Ela vivia na nossa casa. Em festas, churrascos, viagens… tava sempre com a gente. Ele fez uma pequena pausa antes de completar: — Mas nunca chamava ninguém pra casa dela.
Última actualización : 2026-05-19 Leer más