O portão de ferro se abriu com lentidão, rangendo como se cada centímetro daquele movimento carregasse o peso do tempo que tinha passado ali dentro. O som metálico se espalhou pelo corredor estreito, anunciando que alguma coisa estava mudando, mesmo que o lugar continuasse o mesmo, frio, rígido, impessoal. Do outro lado, a luz do dia parecia quase agressiva, forte demais para quem tinha se acostumado a viver entre paredes opacas, horários impostos e silêncio forçado. Camille não demonstrou pressa ao atravessar aquele limite. Caminhou com firmeza, mas sem acelerar, mantendo o controle até no ritmo dos passos, como se cada segundo daquela travessia tivesse valor próprio. Não era só sair. Era retomar o controle.Quando cruzou o último portão, o ar atingiu o rosto dela de forma diferente, mais aberto, mais vivo, carregando cheiros, sons e possibilidades que não existiam lá dentro. Ela parou por um instante, sem olhar diretamente para ninguém, apenas absorvendo. A liberdade nunca vinha soz
Última actualización : 2026-07-10 Leer más