ISADORA VILLANOVA A fumaça ainda ardia minha garganta, mas o ar puro do lado de fora nunca me pareceu tão doce e revigorante. Eu estava sentada no asfalto, com uma manta térmica prateada sobre os meus ombros, colocada ali por um paramédico atencioso. Henrique estava sentado logo ao meu lado, segurando a minha mão, enquanto olhava a mulher de joelhos agarrando o Leo. — Meu filho! Meu amor, minha vida! — ela soluçava sem parar, beijando o rosto sujo de fuligem de Leo repetidas vezes, conferindo se ele estava inteiro. O pai se ajoelhou logo atrás dela e abraçou os dois, chorando como uma criança, erguendo o rosto para o céu e agradecendo a Deus pelo milagre. Leo chorou também, agarrando-se ao pescoço da mãe. Ele afastou o rostinho do ombro da mulher, enxugou os olhos e apontou para Henrique e para mim.A mulher se virou, engatinhou de joelhos pelo asfalto até parar na minha frente. Antes que eu pudesse impedi-la, ela agarrou as minhas mãos e beijou os meus dedos. — Obrigada... Deus
Última atualização : 2026-08-07 Ler mais