Ainda era madrugada quando despertamos. O quarto estava mergulhado em um silêncio quase ensurdecedor. Olhei em direção à sacada; através do vidro, as luzes da rua quebravam timidamente a escuridão de Tórshavn. O sol sequer ensaiava dar as caras no horizonte.Levantei-me devagar, tentando não fazer barulho, mas Rafaela despertou em seguida.— Já amanheceu? — perguntou ela, a voz rouca de sono enquanto se sentava na cama, tateando os lençóis.— Quase, meu amor — respondi com um sorriso contido, fechando o zíper do meu casaco.Ela se levantou e, em pouco tempo, estava pronta. Lá fora, o ar gélido da manhã fustigava a pele, um frio de congelar os ossos. Envolvi os ombros de Rafaela com o braço, trazendo-a para perto, e corremos os poucos metros até o abrigo do jatinho.No interior aquecido da aeronave, Martinho e o copiloto já organizavam os últimos detalhes para a decolagem. Acomodei Rafaela na poltrona mais confortável, ajustando-a para que ela pudesse relaxar.— Está se sentindo melhor
Última actualización : 2026-07-14 Leer más