Luciana Moreno.Voltar para casa não apagou o medo.Essa foi a primeira verdade que precisei aceitar depois do sequestro.Durante o resgate, enquanto Leo me abraçava no meio da tempestade, eu pensei que bastaria atravessar os portões da chácara para que tudo terminasse. Pensei que o cheiro conhecido da casa, o calor da cama, os braços da minha filha e a voz rouca de Don Eduardo reclamando de alguma coisa sem importância seriam suficientes para afastar qualquer sombra. Mas traumas não obedecem portas fechadas. Eles entram com a gente. Sentam no canto do quarto. Esperam o silêncio da madrugada para respirar perto demais.Nos primeiros dias, todos tentaram me proteger sem me sufocar. Leo se esforçava para parecer calmo, mas seus olhos me seguiam pela casa com uma atenção dolorosa. Quando eu levantava rápido demais, ele erguia o rosto. Quando eu demorava no banheiro, batia na porta com cuidado, tentando disfarçar o pânico. À noite, dormia com o braço ao redor da minha cintura e a mão
Última atualização : 2026-07-06 Ler mais