CAPÍTULO 132 — ELIZA VASCONCELOSEu ainda conseguia lembrar perfeitamente da expressão de Rafa quando ele me contou, naquela noite, sobre o pai.Não tinha sido uma conversa longa demais, mas havia alguma coisa na maneira como ele falava daquela época que tinha ficado guardada em mim. O jeito como seus olhos mudavam quando lembrava da infância. A forma como falava daquele menino que assistia aos jogos e imaginava que, um dia, poderia estar ali.Por isso, desde que tive a ideia da surpresa, eu sabia que não queria simplesmente comprar alguma coisa para ele.Eu queria entregar uma lembrança.Alguma coisa que dissesse: eu ouvi você.Naquela manhã, voltei para a minha mesa de escrita e puxei novamente a folha que havia começado.A carta ainda estava incompleta.Eu tinha escrito bastante, mas sentia que faltava alguma coisa.Peguei a caneta e respirei fundo.“Rafa,”Parei por alguns segundos.Depois continuei.“Talvez você ache estranho receber uma carta minha quando estamos tão acostumados
Última atualização : 2026-08-19 Ler mais