CAPÍTULO 123 —A oportunidade que eu não tive Os dias passaram rápido demais, e a sala do tribunal voltou a ficar cheia quando o juiz retornou, semanas depois, para proferir a decisão. Nenhum dos presentes falava, e o silêncio que os acompanhava não era solene; era, pode-se dizer, denso. Era o tipo de quietude que surge quando todos compreendem que nada sairá intacto dali e que qualquer palavra pode modificar destinos que já chegam feridos demais. Lourdes permanecia ereta, olhando para a frente, sempre com as costas retas. A serenidade que demonstrava não era improvisada, mas trabalhada, lapidada ao longo de horas difíceis no consultório, onde começara a desmontar o medo que durante meses a havia dominado. Chorara longe dos tribunais, discutira com o pai e permitira que um estranho apontasse aquilo que ela preferia evitar, mas, diante do juiz, voltava a se erguer com a precisão da profissional que sabia manter uma postura mesmo quando o chão tremia sob seus pés. A poucos metros dal
Última atualização : 2026-07-25 Ler mais