AlejandroA manhã em Bogotá tinha amanhecido cinzenta, exatamente como o meu humor. Entrei no prédio da empresa com o passo rápido, a cabeça a mil por hora e um peso insuportável no peito. Desde ontem a Rosário não falava comigo. O silêncio dela me corroía por dentro, mas eu precisava manter a postura, precisava trabalhar.Passei pela recepção sem olhar para os lados. Quando me aproximei do corredor da minha sala, a Mariinha se levantou num pulo, tentando parecer prestativa:— Bom dia, Seu Alejandro!Eu nem pisquei. Não respondi, não desacelerei o passo e continuei andando direto para a minha porta. O som dos meus sapatos ecoava no piso frio.A Mariinha veio atrás de mim, a voz hesitante cortando o silêncio:— Chefe... O senhor quer um café?Parei a mão na maçaneta da porta. Uma raiva quente subiu pelo meu pescoço, mas a minha voz saiu gelada, cortante. Virei-me devagar para encarar a figura dela ali na minha frente.— Eu só quero uma coisa, Mariinha. Pegue a sua bolsa e suma.
Última atualização : 2026-07-30 Ler mais