Mauro tapou minha boca com a mão. Não foi bruto. Foi rápido. Instintivo. O tipo de gesto que, em qualquer outro contexto, me faria empurrá-lo com raiva. Mas ali, dentro daquela sala escura, com um homem do lado de fora avisando Jeremias que eu tinha pegado o caderno, a única coisa que fiz foi parar de respirar.O peito dele estava colado às minhas costas. Eu sentia cada respiração contida, cada músculo travado. A mão livre segurava minha cintura, me mantendo imóvel contra ele, e aquilo era absurdo. Perigoso. Íntimo demais para um momento em que alguém podia abrir a porta e acabar com a gente.Do lado de fora, o homem continuou no telefone.— Não. Não vi o senhor Mauro. Só o armário. Sim, senhor. Vou bloquear o corredor.Meu estômago afundou. Larissa estava encostada numa estante, pálida, segurando o próprio crach
Última actualización : 2026-07-02 Leer más