Cecília O aroma de café recém-passado e orquídeas frescas preenchia a sala de visitas do imponente casarão da família Gallardini. As paredes altas, decoradas com retratos antigos e quadros a óleo, transmitiam a imponência de um passado do qual eu fazia parte por sangue, mas que ainda me parecia completamente estranho. Minhas mãos repousavam sobre o colo, tremendo de leve, até que os dedos fortes de Marcello se entrelaçaram aos meus, trazendo-me o chão e a coragem de que eu precisava. À nossa frente, no sofá de veludo verde, estavam dona Leonor e o senhor Gallardini. Os olhos daquela mulher, de uma cor castanha tão idêntica aos meus que chegava a causar sobressalto, mantinham-se cravados em meu rosto com uma mistura de veneração, saudade e ternura. - Cecília, minha querida... - dona Leonor começou, a voz trêmula e embargada ao quebrar o silêncio. Ela inclinou o corpo para a frente, apertando o lenço de renda entre os dedos. - Eu nem consigo colocar em palavras a alegria que sentiu
Última actualización : 2026-08-12 Leer más