(POV Daniel)Acordo com o coração disparado, o lençol grudado no corpo suado, a respiração entrecortada de quem acabou de correr sem sair do lugar. Três da manhã, marcador do celular confirmando o horário exato de sempre.Sempre três da manhã. Nunca duas, nunca quatro — como se o próprio corpo já tivesse decorado o horário exato de acordar apavorado, um relógio interno cruel que se recusa a mudar de rotina há anos.O pesadelo é sempre o mesmo, variando só nos detalhes pequenos, nunca no núcleo que realmente importa. Dessa vez era uma coletiva de imprensa lotada, câmeras piscando, e alguém — nunca vejo o rosto — gritando uma pergunta que expõe tudo de uma vez, sem chance de defesa, sem chance de explicação.No sonho, minha mãe tá na plateia, o rosto se transformando devagar de orgulho pra decepção, e eu não consigo mover um músculo sequer pra correr até ela e explicar que aquilo não muda quem eu sempre fui.Sento na cama, encaro o quarto escuro, tentando separar o que é real do que ain
Última actualización : 2026-08-28 Leer más