LIONELO som dos saltos agulha da Beatrice impactando contra a escada de alumínio do jatinho ecoa para dentro da cabine climatizada. Eu permaneço sentado na poltrona principal, com o notebook aberto sobre a mesa retrátil, o semblante intocável, feito de puro gelo corporativo. Quando ela cruza a porta da aeronave, traz consigo aquela aura de triunfo ensaiado, exalando um perfume caro e ostentando uma falsidade que, ontem, talvez passasse batida, mas que hoje me causa um asco profundo.— Lionel, meu querido! — ela diz, a voz carregada de uma doçura teatral enquanto retira os óculos escuros e caminha na minha direção, os braços abertos para um abraço. — Que surpresa maravilhosa essa antecipação do voo. Eu mal podia esperar para começarmos a nossa viagem de volta para casa.Eu não me levanto. Não abro os braços. Apenas estendo a mão direita em um gesto formal, rígido, travando o avanço dela antes que ela possa encostar o seu corpo no meu. O meu toque é rápido, gélido e puramente protoco
Última atualização : 2026-08-14 Ler mais