MarionetaA chuva não dá tréguas. Os limpadores trabalham, mas a visibilidade é pouca. Passamos por uma banca na beira da estrada, daquelas de plástico azul, com uma lona esticada. Duas pessoas estão encolhidas debaixo dela, a tentar escapar da água.Reconheço as silhuetas.Camargo Debres e Cleusa Fantielle.Ela está agarrada ao braço dele, a rir de algo que ele disse. Ele está a olhar para a estrada, como se procurasse algo, ou alguém.Aperto os dedos no banco.— Passa — digo, a voz mais curta do que queria.— Por quê? Não são teus amigos? — ele pergunta. Não vejo a expressão dele, ainda estou ocupada a pensar no que dizer para o Debres. Como fazer ele entender que não tenho nada com o professor, sem explicar do jeito óbvio? É como se eu fosse obrigada a dar satisfações para o Debres. Mas não sou.— Primeiro — começo a explicar, detalhadamente, o porquê de devemos passar — está a chover, eles não vão se molhar para o van. Segundo, o carro do teu xará Camargo está ali.Falo, apontando
Última atualização : 2026-08-25 Ler mais