Respirei fundo.Com a mão livre, peguei o celular e, bem na frente dele, digitei três números.1-9-0.Assim que Cristiano viu o número na tela, a pressão dos dedos em meu pulso diminuiu. Devagar, ele acabou me soltando.Fechei a porta na cara dele.No instante em que a porta bateu, apoiei as costas na madeira.Meu coração estava disparado.Do lado de fora, não se ouviu nada por um bom tempo.Então veio um suspiro baixo.Pouco depois, ouvi os passos dele se afastando.Fui até a janela, puxei discretamente uma ponta da cortina e olhei para baixo.Cristiano estava parado perto do jardim do prédio, olhando na direção da minha janela.Ficou ali por um bom tempo.Dez minutos. Talvez quinze.Depois tirou um maço de cigarros do bolso, acendeu um e ficou fumando em silêncio.A fumaça se dispersava sob a luz suave da manhã. Visto dali de cima, ele parecia estranhamente sozinho.No fim, apagou o cigarro e foi embora.Caminhava devagar, com os ombros caídos, num estado tão abatido que parecia ter
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