Carmem passou a noite pensando na ligação de Rosalina. Não dormiu. Toda vez que fechava os olhos, via a mesma imagem. Deodato. O cachimbo. O cheiro de bebida. O som dos passos chegando em casa. A voz dizendo aos filhos que tinham o mesmo sangue e o mesmo cheiro. Durante anos, Carmem acreditara conhecer o pior daquela história. Talvez estivesse enganada. Às oito da manhã, ligou para Rosalina.— Onde está mamãe?— Aqui comigo.— E o homem?— Disse que volta hoje.— Não deixa ele entrar antes de eu chegar.— Carmem...— Estou falando sério.Rosalina suspirou.— Você está fazendo aquilo de novo.— O quê?— Tentando resolver tudo.Carmem fechou os olhos. Rafael havia dito quase a mesma coisa.— Eu só quero proteger vocês.— Eu sei. Mas mamãe não é mais aquela menina.A frase atravessou Carmem. Talvez nenhuma delas tivesse percebido o quanto continuavam tratando Iolanda como se uma parte sua tivesse permanecido presa naquele passado.— Estou indo.***A casa de Rosalina tinha cheiro de café
Última actualización : 2026-09-03 Leer más