O número privado continuava piscando na tela.Atendi sem pensar, porque naquele momento meu cérebro só funcionava para Lorena.—Alô? —disse, com a voz ainda quebrada.E então eu ouvi.Aquela voz. Grave, pausada, com aquele tom de homem que nunca precisou levantar a voz porque o mundo inteiro sempre lhe obedeceu de qualquer jeito.—Abril.O telefone escorregou dos meus dedos e bateu no piso com um estalo seco. Fiquei olhando para ele no chão como se fosse uma cobra viva, com o coração disparado dentro do peito, completamente fora de controle.Não podia ser ele.Não podia ser ele aqui, agora, no pior momento da minha vida.O telefone voltou a tocar. Fiquei olhando enquanto vibrava três vezes, quatro, cinco. Não toquei nele. Dei um passo para trás, depois outro, balançando a cabeça como se aquele movimento pudesse apagar o que eu acabara de ouvir.—Não —sussurrei para ninguém—. Não, não, não.Saí pelo corredor sem rumo, abraçando o próprio corpo com os braços, respirando com aquela dific
Last Updated : 2026-09-21 Read more