Chapter: Capítulo 12 — Lá ForaHelena demorou mais tempo do que gostaria para sair do banheiro.Não porque estivesse se arrumando.Na verdade, não havia nada para arrumar.O cabelo continuava preso de forma desajeitada depois de uma noite inteira sem descanso, os olhos ainda carregavam o inchaço de quem chorou até não conseguir mais e a camisola larga que tinha escolhido parecia pertencer a outra pessoa.Quando voltou para o quarto, encontrou Sofia exatamente onde a tinha deixado. Sentada na ponta da cama, mexendo distraidamente no telemóvel enquanto fingia não observá-la.— Podes parar.Sofia ergueu os olhos.— Parar o quê?— De fingir que não estás olhando para mim.— Não estou olhando para ti.— Sofia.— Está bem. Estou olhando para ti.Helena abanou a cabeça. — Eu não quero sair daqui. — Se não saíres daqui, vais acabar parecendo a velha do Lago Sul.— Para de inventar.— Como tua irmã mais nova, estou oficialmente a ordenar que saias.— Sofia...— Estou falando sério. Fico aqui sentada para sempre. Vou enve
Última atualização: 2026-06-18
Chapter: Capítulo 11 — O silêncio Helena acordou com uma dor horrível no pescoço. Durante alguns segundos ficou imóvel, olhando para o teto sem entender porque estava tão desconfortável. O corpo inteiro parecia pesado, como se tivesse passado a noite carregando pedras em vez de simplesmente dormindo. Foi quando percebeu que não estava na cama. Estava no chão. A memória voltou devagar. Ela fechou os olhos. Por um instante desejou voltar a dormir, voltar para aqueles poucos segundos em que ainda não lembrava de nada. Mas não funcionou. A realidade já estava ali, sentada ao lado dela, esperando que abrisse os olhos. E então ouviu as batidas. Helena demorou alguns segundos para perceber que estavam batendo à porta da suíte. — Helena? A voz de Sofia atravessou a madeira. Ela não respondeu. Virou o rosto para o outro lado e ficou olhando para as pétalas espalhadas pelo chão. Algumas estavam amassadas. Outras tinham ficado presas no tecido do vestido durante a noite. — Eu sei que estás aí — insistiu
Última atualização: 2026-06-03
Chapter: Capítulo 11 — O silêncio Helena acordou com uma dor horrível no pescoço. Durante alguns segundos ficou imóvel, olhando para o teto sem entender porque estava tão desconfortável. O corpo inteiro parecia pesado, como se tivesse passado a noite carregando pedras em vez de simplesmente dormindo. Foi quando percebeu que não estava na cama. Estava no chão. A memória voltou devagar. Ela fechou os olhos. Por um instante desejou voltar a dormir, voltar para aqueles poucos segundos em que ainda não lembrava de nada. Mas não funcionou. A realidade já estava ali, sentada ao lado dela, esperando que abrisse os olhos. E então ouviu as batidas. Helena demorou alguns segundos para perceber que estavam batendo à porta da suíte. — Helena? A voz de Sofia atravessou a madeira. Ela não respondeu. Virou o rosto para o outro lado e ficou olhando para as pétalas espalhadas pelo chão. Algumas estavam amassadas. Outras tinham ficado presas no tecido do vestido durante a noite. — Eu sei que estás aí — insistiu
Última atualização: 2026-06-03
Chapter: Capítulo 10 — A Suíte dos NoivosDe repente o elevador parou e a as portas se abriram. Helena olhou para ele e saiu apressada ssm olhar para trás. Afinal não conhecia aquele homem verdadeiramente. Só ouviu falar através de Caio que sempre reclamava que ele não fazia nada além de questionar os outros. Helena olhou em volta tentando entender que andar era aquele logo percebeu que e no mesmo andar reservado para ela e Caio. Se não fosse aquele encontro no elevador jamais estaria ali. Diante de daquele lugar que lhe trazia lembranças dolorosas. Ela ficou olhando para a porta que parecia querer culpa-la por ele não estar ali. Quantas vezes imaginou aquele momento? Quantas vezes mostrou fotografias daquela suíte para Lívia? Quantas vezes brincou com Sofia sobre quem choraria primeiro no casamento? Agora não conseguia nem olhar para a maçaneta sem sentir vontade de ir embora. A porta fechou atrás dela. Helena ficou parada por um segundo com as costas ainda quase tocando a madeira, ouvindo o próprio silê
Última atualização: 2026-06-02
Chapter: Capítulo 9 — O ElevadorAs portas começaram a se fechar. Helena não se mexeu para impedir. Ficou parada no meio daquele espaço pequeno, segurando o buquê com os dois punhos fechados, e assistiu as portas se encontrarem como se estivesse vendo de longe. Como se o corpo fosse dela mas a cena não. O barulho do salão foi morrendo aos poucos. As vozes. A música. O som de taças e de pessoas que ainda não sabiam exatamente o que tinham acabado de presenciar. Tudo foi ficando abafado, distante, até restar só o zumbido baixo do elevador subindo. E o silêncio foi pior. Porque o barulho pelo menos ocupava alguma coisa. Com silêncio, só restava ela. O vestido. O buquê. E a verdade que ela ainda estava tentando engolir inteira sem se machucar. Caio não tinha vindo. Caio tinha ido embora. Helena encostou devagar na parede espelhada atrás dela. Não de vez — foi um recuo lento, controlado, o tipo de movimento que o corpo faz quando ainda está fingindo que está bem. O peito subia rápido demais. As mãos tremiam. E as
Última atualização: 2026-05-27
Chapter: Capítulo 8 — A Espera O salão brilhava como um sonho. Luzes douradas refletiam nos enormes lustres de cristal enquanto o piano tocava uma melodia suave e elegante ao fundo. As flores brancas decoravam o altar em arranjos impecáveis, espalhando perfume delicado pelo ambiente. Os convidados sorriam, conversavam em voz baixa e observavam tudo com expectativa emocionada. Era perfeito. Como se aquela noite tivesse sido criada exatamente para se tornar inesquecível. No quarto reservado para a noiva, Helena permanecia diante do espelho enquanto a maquiadora ajustava os últimos detalhes do véu. O vestido branco moldava-se perfeitamente ao corpo dela. O tecido brilhava suavemente sob a luz quente do ambiente. O penteado permanecia intacto apesar do nervosismo que fazia suas mãos tremerem discretamente sobre o colo. Ela estava linda.Mas o coração parecia inquieto desde que acordou naquela manhã.Sofia aproximou-se segurando duas taças de champanhe. — Se continuar respirando assim, vais desmaiar antes de
Última atualização: 2026-05-19