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Catorze

last update Data de publicação: 2026-08-21 19:22:05

HENRIQUE

Eventos beneficentes costumavam seguir exatamente o mesmo roteiro.

Cumprimentos.

Fotografias.

Conversas previsíveis.

Doações.

Discursos.

A diferença daquela noite caminhava ao meu lado.

Jade observava o salão com curiosidade, o olhar atento absorvendo os lustres de cristal pesados, a orquestra tocando suavemente ao fundo e o murmúrio constante da alta sociedade paulistana. Ela estava discretamente apoiada no meu braço, o peso sutil de sua mão trazendo uma presença viva e inespe
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Último capítulo

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Vinte e oito

    JADE Meus olhos se abriram num estalo. Olhei para o teto branco do quarto. A luz do sol mal começava a rasgar a fresta da cortina. Girei o corpo devagar para encarar o relógio na mesa de cabeceira. Seis. Da. Manhã. Em uma segunda-feira? Ou melhor, em qualquer dia da minha vida em que eu não estivesse sendo perseguida por um incêndio ou por um prazo fatal? — Isso não é normal... — resmunguei para o quarto vazio, a voz rouca de sono, cobrindo o rosto com o lençol. — Definitivamente contra a minha natureza. Fiquei encarando o teto por mais alguns segundos, completamente indignada comigo mesma por ter perdido o sono tão cedo. Mas então, uma ideia começou a se desenhar na minha mente. A lembrança do dia anterior na casa de dona Cecília e, principalmente, do tênis encharcado no jardim voltou como um raio. Um sorriso nasceu sozinho no meu rosto. Hoje seria o dia da minha vingança. Estiquei o braço e peguei o celular na mesma hora. Sem pensar duas vezes, abri a conversa com Henriqu

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Vinte e sete

    JADEDepois do almoço, o jardim da casa de dona Cecília virou o ponto de encontro da família.As crianças corriam atrás de uma bola colorida, enquanto os tios ocupavam as cadeiras de vime espalhadas pela varanda, discutindo futebol, política e qualquer outro assunto que aparecesse.E eu... bom. Eu estava deitada em uma espreguiçadeira, completamente em paz com a vida, terminando a última colherada do pudim.Do Henrique.Sim. O dele. O meu já tinha acabado fazia tempo.— Jade.Levantei os olhos devagar. Henrique estava parado bem na minha frente, as mãos nos bolsos e a mesma expressão calma de sempre.— Hum?Ele olhou para o pratinho vazio. Depois para mim.— Você comeu os dois pudins.Olhei para o prato. Depois para ele.— Nossa...— O quê?— Agora que você falou... — Pisquei algumas vezes. — Comi mesmo.Ele respirou fundo.— Impressionante.— Você não vai comer.— Como sabe?— Porque ficou conversando.— E então?Dei de ombros.— Pudim parado é um pudim desperdiçado.Ele me encarou.

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Vinte e seis

    Olhei para baixo e paralisei.— Ah, não…Peguei rapidamente o guardanapo de pano do meu colo.— Deixa que eu tento limpar…Minha mão mal teve tempo de encostar no tecido. Henrique segurou delicadamente o meu pulso, interrompendo o meu movimento com uma firmeza surpreendente.— Não — disse ele, com a voz baixa e tranquila.Olhei para ele, surpresa.— Henrique...— Se você esfregar, vai espalhar a mancha e tingir o tecido.Antes que eu pudesse reagir, Henrique já havia pegado outro guardanapo de papel limpo que estava sobre a mesa. Inclinou-se no meu espaço apenas o suficiente. Os movimentos dele eram calmos, precisos e extremamente focados, exatamente da mesma forma que ele resolvia qualquer pendência no escritório.Não havia pressa. Não havia hesitação. Apenas concentração pura.Eu permaneci absolutamente imóvel. Podia sentir o calor do corpo dele tão perto do meu e o aroma amadeirado do seu perfume preenchendo os meus sentidos. Meu coração começou a bater rápido demais para uma reles

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Vinte e cinco

    JADEDona Cecília aproximou-se batendo as mãos, plenamente satisfeita com o rumo das coisas.— Agora sim! — declarou ela.Ajeitei o vestido, tentando disfarçar a onda de calor que teimava em insistir no meu rosto.— Agora sim o quê, dona Cecília?— Agora vocês estão com cara de casal de verdade. Sem aquela formalidade toda que o Henrique gosta de inventar.Henrique caminhou até o aparador no canto da sala e serviu um copo de água com gelo.— Vó... — murmurou ele, numa tentativa branda de conter o entusiasmo dela.— Não adianta reclamar, Henrique. Vocês combinam e pronto.Aproximei-me dele a passos lentos e falei baixinho, numa frequência que só ele podia ouvir.— Ela está muito emocionada com a gente.Ele tomou um gole de água, mantendo os olhos na movimentação da casa.— Muito.— Coitada. Vai se decepcionar quando descobrir a verdade.— Bastante — concordou ele, num tom seco, mas sem nenhum ressentimento.Olhei para o perfil dele por um segundo. Depois, não aguentei e comecei a rir b

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Vinte e quatro

    Em questão de minutos, a sala de estar virou o cenário de uma pequena operação militar. As crianças foram empurradas para sentar no tapete à frente; os mais velhos foram acomodados no sofá principal; os tios discutiam no fundo sobre quem era mais alto e quem estava tapando a luz da janela. Dona Cecília, no centro de tudo, distribuía as pessoas como uma maestrina experiente.— Henrique! — chamou ela, acenando.Ele ergueu os olhos do canto onde tentava passar despercebido.— Aqui, meu filho. Do lado da Jade.Olhei discretamente para ele. Henrique soltou uma respiração lenta, mas não argumentou. Caminhou até o espaço vago ao meu lado, parando a uma distância socialmente aceitável.O tio ergueu a câmera ao nível dos olhos.— Mais juntinhos, pessoal. Não cabe todo mundo no enquadramento.Dei um passinho discreto para a direita, aproximando meu ombro do dele.— Mais um pouquinho, Henrique. Parece que você está do lado de uma estranha — ordenou o tio Sebastião.Olhei de relance para Henrique

  • A ACOMPANHANTE DO BILIONÁRIO    Vinte e três

    JADEChegamos à casa de dona Cecília exatamente às meio-dia e quinze.Henrique mal havia desligado o motor da SUV quando a cortina de renda da janela da frente se moveu. Um segundo depois, a porta de entrada se abriu de par em par.Olhei para ele, apoiando as mãos no painel.— Ela estava esperando na janela?Ele nem se deu ao trabalho de responder. Não precisou.Dona Cecília desceu os três degraus da varanda com uma agilidade surpreendente para a idade, ostentando um sorriso tão amplo e radiante que dava a impressão de que não via o neto há anos. Ou talvez... de que a verdadeira convidada de honra fosse eu.Abri a porta do carro e desci. Antes que eu pudesse ajustar a bolsa no ombro ou ensaiar um cumprimento formal, fui completamente envolvida por um abraço apertado, daqueles que cheiram a sabonete de alfazema e conforto.— Minha querida! Que bom que você veio! — exclamou ela, dando dois tapinhas carinhosos nas minhas costas.Rendi-me ao abraço, rindo de surpresa.— Eu também fiquei m

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