Compartir

5. Elevador

Autor: Rafa Cabral
last update Fecha de publicación: 2024-03-09 03:03:26

Segunda-feira, logo pela manhã fui ao tribunal resolver minhas pendências com a lei, por ter agredido a amante do meu ex marido. Expliquei a situação ao juíz, garanti que não era uma pessoa violenta, só estava chateada, e com razão, por descobrir uma traição. O juíz ouviu uma testemunha, que para minha sorte ficou do meu lado e contou que eu só estava batendo no David e a loira veio para cima de mim.

A loira por sua vez, alegou ser tudo mentira, que eu fui bater nela e outras coisas, mas além da testemunha, tinham câmeras no bar e uma delas filmou a briga. Não havia dúvidas, eu só me defendi, não tive a intenção de machucá-la e não continuei com a briga. Caso encerrado. Perdi metade do dia por causa de dois indivíduos idiotas.

Cheguei na empresa após o almoço, meu cabelo estava tão bonito que seria um crime prendê-lo, mas por não ser um costume, todos me olharam estranho. Mas também poderia ser minha escolha de roupa, coloquei a camisa branca de cetim, como tinha uma leve transparênciae e eu não tinha menos ousado para colocar por baixo, optei por uma lingerie de renda preta. Não dava para notar a cor, mas a renda marcava no tecido. Além disso, eu estava de saia.

— Boa tarde, Jade. Está bonita. — Cleo elogiou quando passei por ela.

— Boa tarde, Cleo. Obrigada, decidi dar uma renovada no guarda-roupa. — respondi com um sorriso e segui para o elevador. Mais elogios. Nunca pensei que uma mudança simples faria tanta diferença. Quero dizer, eu ainda uso óculos e não fiz nenhuma cirurgia ou botox.

Mas, eu tinha uma cirurgia agendada, a de correção de grau. Foram anos para finalmente tomar coragem e marcar, logo mais eu estaria livre do óculos de grau e seria libertador, realmente uma nova Jade. Eu não podia estar mais ansiosa.

Regina me encontrou no corredor e deu meia volta para me acompanhar e atualizar do que aconteceu pela manhã.

— Filipe está de péssimo humor hoje e já adianto, dei uma espiada na sua sala e tem uma pilha de papéis. E… ah! Estou dando graças a Deus que você chegou porque o Chevalier só respeita você.

— Obrigada Re, vou me preparar.

— Não precisa, você está linda, vai calar a boca dele rapidinho. — respondeu com uma piscadela e deu meia volta para terminar o que estava fazendo.

Entrei na sala, coloquei minha bolsa na cadeira e notei que a lente do meu óculos estava suja, procurei a flanela que eu costumava usar para limpar e não estava encontrando, me inclinei para procurar na última gaveta e encontrei ali, quando levantei, Filipe estava parado na porta, completamente estático e simplesmente não disse nada. Não consegui enxergar seu rosto para tentar entender o que estava acontecendo.

— Desculpe o atraso, eu juro que tentei comer rápido. — falei pegando o óculos e esfregando a flanela na lente rapidamente e o coloquei no rosto, final conseguindo enxergar perfeitamente. Filipe sacudiu o rosto e apontou para a pilha de papéis na mesa, parecia desnorteado.

— Revise tudo ainda hoje e mande para o setor responsável. — ordenou e corri sentar em minha cadeira para começar, era muita coisa. Ele continuou parado à porta.

— Precisa de mais alguma coisa, senhor Chevalier? — decidi perguntar.

— Eu… soube que teve um incêndio no seu prédio, está tudo certo com seu apartamento?

Pensei um pouco se deveria contar a verdade, mas ele foi muito gentil em me ajudar aquele dia, não precisava mentir.

— Na verdade, foi o meu ex que colocou fogo no nosso apartamento. Vou ficar uns dias com a Regina até conseguir alugar um novo. — respondi e ele apenas acenou com a cabeça e voltou para sua sala.

Um pouco mais tarde, ele recebeu um cliente dos principais clientes para uma reunião e pediu para não o incomodar até que terminasse. Isso teria sido fácil, se o furacão Ashley não entrasse no escritório, sem nenhum respeito por nada que não fosse ela mesma. O pouco que eu conhecia dela, me fazia entender porque Filipe tinha tantas amantes.

— Quero falar com o meu noivo. — pediu assim que entrou em minha sala.

— Boa tarde senhorita Ashley, Filipe está em uma reunião importante no momento e pediu para não ser incomodado. — respondi numa voz suave, tentando não parecer nem um pouco rude. Ela apoiou as mãos na minha mesa e se inclinou para frente.

— Primeiro que para você é SENHOR Chevalier. Segundo que não há nada mais importante que nosso casamento, então faça o favor de chamá-lo ou eu vou quebrar aquela porta e fazer um escândalo. — disse entredentes. Que mulher insuportável!

Respirei fundo e peguei o telefone, disquei o ramal do Filipe, ele logicamente demorou a atender, então liguei de novo e de novo, até que ele atendeu impaciente.

— Senhor Chevalier, sua noiva está e insiste em falar com o senhor.

— E você não pode pedir para ela esperar?

— Eu já pedi e ela ameaçou fazer um escândalo. — respondi e olhei rapidamente para ela, sentada em cima da minha mesa como se estivesse em sua própria casa.

Ouvi Filipe suspirar e ele desligou sem responder. Segundos depois ele abriu a porta e fechou atrás de si para que o cliente não ouvisse a conversa.

— Pensei que fosse viajar esse fim de semana.

— Eu não podia ir sem saber se você já assinou a data do nosso casamento. — ela respondeu mudando a voz para uma melosa e aguda.

— Atrapalhou uma reunião importante para isso?! — o rosto dele ficou vermelho como eu nunca havia visto. — Eu já assinei, Ashley. Agora saia antes que eu chame a segurança para te levar.

— Não é necessário, eu sei o caminho. — ele se virou e voltou para a reunião. Ashley assistiu de braços cruzados, parecia afetada por sua resposta, mas se recompôs e se virou para mim. — Eu conheço bem a sua estirpe, não pense que vai seduzi-lo mudando suas roupas. Você não faz o tipo dele.

— Se eu quisesse seduzi-lo, pode ter certeza que eu conseguiria. — respondi e sorri. Ashley não me dava medo, era só uma garota mimada, que assim como eu um dia pagaria o preço por suas ações inconsequentes.

— Vá sonhando. — respondeu antes de sair, seus saltos barulhentos ficaram ecoando pelo corredor até finalmente ela entrar no elevador.

Com a intromissão de Ashley, não consegui terminar toda aquela papelada a tempo, na verdade, mesmo se ela não tivesse vindo eu não terminaria. Era muita coisa e acabei precisando ficar até mais tarde, mas não seria nenhum problema, afinal eu perdi a manhã toda resolvendo a minha briga com a loira boqueteira.

Não vi Filipe sair, mas fui ao banheiro um certo momento e pensei que ele teria ido embora. Faltava pouco para terminar tudo, mas estava cansada e decidi voltar para casa, ou melhor para o apartamento da Re. Desliguei tudo, peguei minha bolsa e fui para o elevador, assim que entrei, vi Filipe saindo e segurei a porta para esperar por ele.

— Obrigado. — agradeceu assim que entrou e deixei o elevador fechar as portas.

Aproveitei que finalmente o expediente acabou para prender meu cabelo num coque abacaxi sem elástico, o novo corte facilitou o processo, tinha bem menos cabelo. Notei Filipe me observando, mas não quis fazer perguntas. Ele não é só bonito, ele é o homem capaz de fazer milhares de cópias de uma revista financeira serem vendidas apenas porque ele estava na capa; foi considerado o homem mais quente de Redford e tem até um fanclub nas redes sociais. Ele vive cercado de modelos, a noiva dele é uma modelo famosa internacionalmente, então eu não vou achar que depois de 4 anos sendo sua secretária, ele me achou bonita algo do tipo.

A porta do elevador se abriu e eu estava prestas a sair, quando ele segurou meu braço e me puxou de volta para o elevador. Fiquei tão em choque, que não tive reação.

— Ama mesmo seu marido, Jade? — perguntou franzindo a sobrancelha, nunca estive tão próxima dele e o perfume que sempre gostei invadiu minhas narinas.

— Não posso amar um homem que me traiu.

— Você se decepcionou, mas o amor não acaba da noite para o dia. — ele estava certo, eu estava lutando para reacender nosso amor, ou seja, já havia se apagado e se sobrou algum resquício, a traição apagou.

— Não, meu casamento já tinha acabado antes de eu descobrir tudo. — o ar de repente ficou rarefeito e estranhamente desconfortável. Já dividi o elevador com Filipe inúmeras vezes e nunca me senti assim. Claro que, no meu período mais sensível, fantasiei muitas vezes uma noite com ele, era impossível não pensar. Tudo nele era atraente.

— Ótimo. — foi sua resposta e ele me soltou. Dei um passo para trás, recuperando minha respiração e saí do elevador, senti seus olhos em mim e tentei manter a postura, jamais deveria me deixar envolver por ele.

Jamais.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Amante do CEO   75. Resiliência

    Andrew Chevalier Depois do velório da Antonella, parecia que tudo tinha mudado, poucos estiveram presentes. Não teve lágrimas e talvez a única memória que ela deixou, era por ter sequestrado a própria neta. Isso mexeu com todos que estiveram ali. Como você quer ser lembrado? Quem estará no seu velório? Com certeza ninguém queria ser como aquela mulher. — Vou abrir uma escola de dança. — Madison olhou para mim, enquanto o caixão era coberto de terra. — É isso que quero para a minha vida, talvez esse seja o meu legado. — Você tem meu apoio para o que precisar. Semanas depois, nos mudamos para a casa que comprei em São Francisco para nós e ela foi em frente com o plano da escola de dança. Alugou um salão, que precisou de algumas reformas e quando estava tudo pronto, ela anunciou a inauguração. Todo o sucesso foi mérito dela, que buscou desde o início incentivar os moradores a conhecer o mundo do ballet, com apresentações gratuitas, folhetos apresentando benefícios e todo marketing po

  • A Amante do CEO   74. A Bailarina e o CEO XV

    Madison Milani Eu disse sim. Recebendo o sorriso orgulhoso da minha mãe e as vibrações da Ísis, a que mais torcia por nós. Me levantei para Andrew colocar a aliança que exibiu como uma verdadeira jóia, o anel que ele escolheu não poderia ser mais bonito, com pequenas pedras ao redor da maior, que se destacava como um verdadeiro diamante e me perguntei se de fato era. Não consegui conter o sorriso, coube perfeitamente e o abracei. Eu tive medo de me apaixonar novamente e acabar prejudicando a minha filha. Ela sempre foi e será a minha maior preocupação, é por ela que acordo todos os dias, mas preciso ser honesta e assumir que é diferente e bom ser amada por outra pessoa e ter alguém pra dividir a vida e até os problemas. Ísis se aproximou para ver de perto o anel que ganhei, tinha um sorriso tão grande quanto o meu e pra mim era maravilhoso saber que agora ela tinha um bom exemplo de como um homem deve ser. Regina devia estar orgulhosa do homem que ele se tornou. Eu sabia que a Ís

  • A Amante do CEO   73. A Bailarina e o CEO XIV

    Andrew Chevalier — Eu preciso viajar cedo, Andrew. Sinto muito. — não era a resposta que eu esperava, parecia que ela queria fugir, evitar a Emily, mas eu que ela visse, Emily deveria saber que escolhi meu lugar, independente do resultado. — Mas nós vamos nos encontrar novamente, tenho certeza disso. — Se você for, eu mesmo te levo para a cidade dos seus pais e quem sabe, procuro um apartamento pra mim. — ela abriu um sorriso que se transformou numa risada, mas eu estava falando sério. Minha empresa podia muito bem funcionar somente com a minha presença online e viagens ocasionais são fáceis de fazer. Filipe faz isso dar certo, eles moram numa cidade pequena e ele administra suas empresas muito bem.— Você não existe Andrew, não posso acreditar que é real. — respirou fundo e repensou sua resposta. — Tudo bem, eu vou com você amanhã, mas só porque está pedindo com carinho. Por dentro eu estava vibrando. Podia entender os motivos dela, em seu lugar eu faria o mesmo, é difícil recomeç

  • A Amante do CEO   72. A Bailarina e o CEO XIII

    Madison Milani— Sabe, Emily, a única pessoa horrível que eu vejo aqui é você e eu espero, de verdade, não ter nenhum grau de parentesco com você. — Andrew disse num tom de voz frio, capaz de causar calafrios, mas pareceu não ter diferença para a Emily. Eu ainda estava sem reação com aquela situação, já esperava uma péssima reação dela, afinal a última conversa que tivemos deixou claro que ela só quer essa família pra alcançar o sucesso que tanta deseja e me diminuir de todas as formas possíveis. Ela sabe que um dia eu também busquei pelo sucesso e falhei, busquei por uma família e falhei. E que eu nunca terei nenhum dos meus pais biológicos. Por alguma razão, que eu não conseguia entender, ela estava buscando ser melhor que eu, mesmo que eu não tenha nada pra se invejar. Não podia mais ficar naquele apartamento e nem mesmo queria, apesar de não ter para onde ir. Estava ali de favor, ela sempre deixava isso bem claro, assim como também gostava de se gabar do ótimo emprego e salário

  • A Amante do CEO   71. A Bailarina e o CEO XII

    Andrew Chevalier Fiquei no carro esperando a Madison e a Ísis para um passeio, Emily ia sair novamente e não podia ficar com a sobrinha, não era um problema, mas eu estava ansioso para ficar a sós com a Mady. Eu estava ali, mas também estava distante, mais cedo tive uma conversa com meu pai após ele conhecer a Emily. Ele me pediu perdão por não ter insistido em me procurar no passado, mas que acreditava ter sido melhor assim, pois teria sido um péssimo exemplo assim como foi para o Filipe. Ele estava errado, mas não consegui dizer isso a ele. Me fez muita falta e receber um pedido de perdão tocou em feridas que eu nem me lembrava mais que existiam, mas de certa forma era bom. As duas não demoraram a aparecer, as recebi com um abraço e entreguei o presente que trouxe. Mady como sempre estava linda e a cada vez que a via, me lembrava porquê ela tem se tornado cada dia mais especial e logo esqueci a conversa que tive mais cedo. Nós fomos para o circo que estava na cidade conforme

  • A Amante do CEO   70. A Bailarina e o CEO XI

    Sabe aquele sorriso impossível de tirar do rosto? Que aparece em momentos aleatórios do dia quando pensa em algo sobre a pessoa? Ou quando se vê perdida em pensamentos e lembranças? Foi assim que fiquei o dia inteiro, me sentindo uma boba apaixonada. Até mesmo a Ísis percebeu que eu estava distante e mais sorridente, mas era pequena demais para entender. Só que a outra pessoa que morava comigo, não era uma criança e tentei de todas as formas não demonstrar que estava nas nuvens, mas Emily acabou vendo as flores no meu quarto, pois Ísis fez questão de mostrar. Conversei com a Ísis mais cedo, pedi que não contasse para a tia que saímos com o Andrew e quando vi as duas indo para o meu quarto, corri atrás para tentar evitar que Emily descobrisse tudo e por sorte, tenho uma filha obediente e quando me viu, disse que foi "um amigo da mamãe" e mudou de assunto. Eu sabia que Emily não ia esquecer esse assunto tão fácil e me preparei o restante do dia para responder as perguntas que ela cer

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status