LOGINRAFAEL — Estamos bem, Rafael e a Lili está como Benjamin no jardim — ela respondeu, a voz trêmula. — Mas o Murilo nos encontrou. Ele atirou na praça. Os seguranças de Leon nos ajudaram.— Graças a Deus — murmurei, apertando-a contra o peito.Foi só então que olhei para Leon. Ele estava ao lado, com Valentina, e os dois observavam a cena. Eu sei que Leon ainda me odiava por tudo que eu fiz e tentei fazer contra Valentina. Eu entendo. Mas naquele momento, a única coisa que passou pela minha cabeça foi gratidão.— Leon, eu... — comecei, mas as palavras não saíam.Foi quando os seguranças deles ligaram pra ele, e Leon atendeu perguntando:— O que aconteceu?— O tiroteio foi rápido, senhor — um deles explicou. — O homem que estava atirando contra o carro pensava que a senhora Valentina estava no carro que ele alvejou que era o nosso, mas por sorte não estávamos lá dentro e a nossa reação foi atirar de volta. Pra dar tempo dela correr com a Verônica e as crianças. E ainda bem que o carro
RAFAELEu já estava dentro do jato da banda, voltando para São Paulo. Ainda tínhamos uma entrevista assim que pousássemos. Foi quando recebi o áudio da Verônica.Quando ouvi o desespero na voz dela, meu mundo foi abaixo ela estava lá desesperada e eu não podia ajudar ela naquele momento fiquei transtornado.Levantei na hora e falei pro Tiago e pro Barsa nosso empresário:— Eu não irei com vocês para a entrevista. Preciso voltar para casa imediatamente. É um assunto urgente.— Como assim não vai, Rafael? Você é um dos guitarristas que mais chama atenção do público. Vamos precisar de todo mundo lá — Barsa disse, com aquele olhar de empresário que eu já conhecia bem.— Preciso resolver um problema familiar.— Que tipo de problema familiar, Rafael? Você só vive brigando com seus pais e seus irmãos — Bárbara rebateu, brincando. — Não me diga que foi convidado para uma reunião familiar extraordinária para resolver o seu mal comportamento, baby?Ela falou mordendo os lábios e fez todos rire
VALENTINAAs crianças saíram, e o silêncio tomou conta da sala. Leon olhou para Verônica, a expressão ainda dura, mas menos hostil.— Confesso que estou cansado de tanto ter medo de algo acontecer com a minha mulher — ele disse. — Mas entenda, Verônica: confiar em alguém que já fez o que você fez não acontece da noite para o dia. E não é porque você tem uma filha e um psicopata te perseguindo que o seu passado vai mudar.— Eu entendo, Leon — Verônica respondeu. — Mas acredite: eu realmente me arrependo do que fiz. E só fiz aquilo por dois motivos.— E o primeiro, é logicamente foi por… dinheiro — Leon respondeu com desdém.— Sim, dinheiro — ela confessou, de forma crua. — Dinheiro e um senso de justiça distorcido.— O que quer dizer com isso, Verônica? — perguntei, intrigada.— Você não lembra, Valentina, o tanto de ódio que eu tinha de você? Acredite, na época aquilo era real. Eu realmente te encarava como alguém digna de tudo de ruim. A Isadora me fez acreditar que você estava destr
VALENTINAMeu Deus, eu não sabia o que fazer diante aquela situação terrível. Mas Verônica pensou mais rápido, me puxando pelo braço.— Qual é o seu carro? — ela perguntou, ofegante.— Ali! — apontei.Por sorte, Carlos já nos esperava. Corremos para perto, quando começou um barulho ensurdecedor. Tiros. O ex da Verônica aparentemente estava atirando em uma praça cheia de crianças e suas mães.— Meu Deus, eu não acredito que seu ex está atirando em uma praça cheia de crianças! — gritei incrédula, puxando Benjamin para o meu colo.— Você não faz ideia do que Murilo é capaz, Valentina — Verônica respondeu, a voz tremendo enquanto colocava Lili no banco de trás. — Esse homem é um louco. Ele já fez coisas piores.— Carlos, liga o carro, rápido! — gritei para o motorista.Ele obedeceu imediatamente, e aceleramos em direção à saída da praça. Eu já estava ligando para a polícia, enquanto Verônica tentava desesperadamente contatar Rafael. Seu celular tocou várias vezes, mas ele não atendia.— E
VERÔNICA Valentina me encarou, assustada.— Verônica? Eu não sabia que você tinha uma filha.— Sim, eu tenho. E ela tem a mesma idade de Benjamin.— É, eu percebi. Só espero que essa criança esteja bem com você, uma pessoa tão pouco confiável. Agora, com licença, eu e Benjamin já estamos indo. Não é, filho?— Já estamos saindo, mãe? — Benjamin reclamou. — Por quê? Gostei tanto dessa praça. A gente acabou de chegar. Além disso, quero brincar com a Lili.— Por favor, Valentina — falei, me aproximando. — Eu sei que você não gosta de mim, mas deixe pelo menos as crianças brincarem. Minha filha não tem culpa de nada.— Tudo bem, vai brincar um pouco, querido — Valentina falou de forma suave para Benjamin, mas seu olhar para mim era exasperado.Me aproximei dela.— Sei que ainda me odeia pelo que eu fiz, mas queria muito pedir desculpas.— Para a pessoa que cometeu um crime é sempre muito fácil pedir desculpas, Verônica. Mas pra quem foi a vítima aceitar não é tão fácil assim.— Sei disso,
VERÔNICAAcordei no quarto de Rafael com o corpo ainda marcado pelos toques da noite anterior. Fazia quase dois meses que eu estava ali, e na semana passada, durante quatro dias inteiros, fizemos amor em tantas posições que meu rosto esquentava só de lembrar. Ele era intenso, carinhoso, e me fazia sentir desejada de uma forma que eu nunca imaginei ser possível.Naquela manhã, voltamos a falar sobre como ajudar Valentina e Leon contra um perigo que talvez eles já nem pudessem imaginar que ainda estavam correndo: a maluca da Isadora. Eu queria muito me redimir dos meus erros para ter paz com a minha consciência, e naquela manhã Rafael me contou sua ideia para ajudar a encontrar provas contra ela.— A gente precisa de algo concreto — ele disse. — E sei como vamos conseguir isso.— Como?— Conheço alguém que trabalhou com o irmão dela em uma certa época. Vamos encontrá-lo. Penso que uma pessoa que fez o que ela fez — colocar câmeras, contratar alguém para vigiar outra pessoa — é capaz de







