Compartilhar

Capítulo 3

Autor: Ella
last update Data de publicação: 2024-10-10 06:11:01

Natalie e Thomas Kavanagh tinham cinco aninhos, mas diferente do que toda babá que os conhecia, pensavam, eles não eram crianças normais; eram extremamente inteligentes e com uma mente incrivelmente diabólica. Não que não fossem crianças boas, adoráveis e obedientes, mas eles não admitiam, concordavam ou confiavam nas mulheres que o amado pai contratava para lhes cuidar. E o único motivo de não aceitarem uma babá é por temerem que elas tirassem o pai deles; e isso eles nunca aceitariam. Liam Kavanagh não tinha dona e eles queriam que continuasse assim eternamente.

Naquele momento, ambos esperavam pela refeição da nova babá. A mulher tinha longos cabelos castanho-claros com algumas mexas loiras e os olhos eram em um tom azul-escuro. Enquanto preparava o almoço uma música tocava em seu celular, e por mais que soubesse que os gêmeos estivessem a alguns passos de si, ela não lhes dava atenção; estava totalmente focada em sua cantoria enquanto picava uma cebola. As crianças cochichavam entre si, desviando os olhos para a mulher vez ou outra, já pensando em uma forma de tirar aquela babá do caminho deles, ou melhor, do pai deles. Ela era doce, amigável, mas por enquanto; eles não acreditavam que aquela fosse a verdadeira face da mulher. 

E estavam completamente certos.

Descobriram isso alguns minutos depois que a refeição ficou finalmente pronta, quando Natalie se negou a comer cebola e a mulher se irritou, chamando-a de fresca, deixando a pequena chateada e seu irmão extremamente irritado.

Ninguém falava daquela forma com sua irmãzinha. Ninguém.

A mulher fez um macarrão a alho e óleo com alguns pedaços de carne de porco, e novamente Natalie a deixou irritada, quando disse que não podia comer da carne, assim como seu irmão, por conta da alergia que tinham; naquele momento não estava fazendo de propósito, a garotinha realmente não tinha intenção de fazer parecer que estava provocando a mais velha, mas a outra entendeu exatamente isso. E então ambas as crianças viram a babá jogar a comida toda no lixo, mandando os dois se virarem, pois não faria mais nada, antes de seguir em direção a sala de TV.

O pequeno, já imaginando que aquela cena poderia acontecer em algum momento do dia, principalmente porque não era a primeira vez que uma babá os deixava sem a refeição, retirou um saco grande de batatas ruffles de dentro do armário – no qual escondeu na noite anterior, sem que seu pai soubesse – e passou a comer com sua irmã, junto de um suco que o pai havia deixado dentro da geladeira na noite anterior para que pudessem tomar no almoço daquele dia, e durante todos os minutos seguintes, ele passou a observar a mulher que lixava a unha enquanto assistia a um filme que ele realmente não estava nenhum pouco interessado.

Percebeu então que ela era extremamente vaidosa, e só por esse motivo sorriu ladino; uma ideia lhe ocorreu e ele se alegrou por isso. E a pequena garotinha que ainda se encontrava ao lado de Thomas, percebeu, curiosa, o tal sorriso nos lábios dele.

— Irmão?

— Eu sei como fazer ela não durar o restante do dia, maninha. – A olhou com um sorriso ainda maior nos lábios. – Provavelmente o papai vai se zangar.

— Ele sempre se zanga. – Deu de ombros. – E ela me chamou de fresca, irmão, eu quero ela fora.

— Pode deixar, maninha. – Desviou os olhos da irmã. – Eu tenho um plano, e vou colocá-lo em prática agora. 

Pulou da cadeira, seguindo para o armário da frente, subindo em uma cadeira diferente da que estava a pouco, abrindo uma das portas, encontrando um pote de chiclete; abriu e pegou quatro.

— É melhor pegar o dinheiro que o papai deixa na gaveta.

— Está bem.

Mesmo confusa, Natalie apenas fez como o irmão pediu, seguindo para o andar de cima, pegando o dinheiro que estava guardado na gaveta da cômoda do quarto deles; para emergências, era o que sempre ouviam do pai.

Quando voltou, percebeu que seu irmão estava abaixado atrás do sofá, já pronto para colocar o plano em prática, e por isso deixou de fazer tanto barulho com os pés – apesar de imaginar que a outra não prestaria atenção no que estavam fazendo – e passou a observá-lo. Thomas mastigava o chiclete que havia pegado a pouco, e não se demorou em olhar para a irmã antes de retirar as gomas mastigadas e pregar nos cabelos da mulher. E como imaginou, ela se levantou assustada por ele ter puxado seus cabelos no ato.

— O que está fazendo, moleque? – Praticamente rosnou, levando em seguida sua mão direita aos cabelos sedosos, sentindo algo estranho. 

Rapidamente Thomas correu para junto da irmã, ouvindo no instante seguinte, os gritos histéricos da babá, e por isso não se demorou em pegar na mão de Natalie e passar correndo porta a fora, ouvindo a mulher praguejar, além de os ameaçar aos gritos, o que os assustou um pouco, principalmente porque ouviram passos e pensaram que ela os seguia; mesmo assim, nenhum dos dois se arrependiam por ter feito ela pagar por ter sido rude.

O garotinho sabia que não deveria sair sozinho, mas também sabia que não seria uma boa ideia continuar na presença da babá sendo que ela estava completamente furiosa.

Ainda de mãos juntas, eles passaram pela porta do condomínio, e incrivelmente ninguém os viu. Estavam desesperados para estarem bem longe, com medo de que a mulher pudesse os alcançar. E mesmo que estivessem assustados, principalmente por nunca terem saído sozinhos antes, não deixaram de correr.

Em algum momento, quando já estavam longe do condomínio, ambos olharam para trás, com medo de que a babá estivesse os seguindo, e se aliviaram ao perceberem que não.

— Oh, me perdoem. 

Seus olhos encontraram rapidamente uma moça de cabelos completamente rosados e olhos incrivelmente verdes. Ela tinha um olhar preocupado, que eles nunca haviam visto antes, a não ser por sua família, e por isso ficaram tão surpresos, e encantados, tinham de confessar; a mulher era linda.

A rosada se abaixou rapidamente, perguntando se estavam bem, mas eles não conseguiriam responder.

— Eu machuquei vocês?

Natalie piscou duas vezes.

— Seu cabelo é rosa. 

A mulher sorriu.

— Ah, sim. – Tocou os próprios cabelos, com um sorriso. – É estranho, e diferente, mas sim, é rosa. 

— Eu achei muito legal. Parece uma fada!

Thomas olhou para sua irmãzinha, ao mesmo tempo em que a mais velha sorria, mas logo se voltou para a mulher.

— Obrigada. – Ajudou a garotinha a se levantar, vendo o garotinho ao lado dela fazer o mesmo, mas sozinho. – Realmente não os machuquei?

— Não. – A menina foi a única a responder.

— Cadê seus pais? – Olhou ao redor. – É perigoso estar sozinhos.

— Nosso pai está trabalhando e precisamos ir para lá. – Thomas finalmente se pronunciou, com medo de que sua irmã contasse a verdade. 

— Oh.

— Pode nos ajudar a chegar lá, moça? – A pequena perguntou.

— Hum... – Ficou em dúvida. 

— Prometo que o papai está nos esperando.

A mulher de cabelos exoticamente rosados não acreditou nenhum pouco, mas como percebeu que estavam desesperados, decidiu entregá-los ao pai antes que algo acontecesse a ambos.

— Onde o pai de vocês trabalha?

As crianças sorriram, aliviados por conseguir convencer a mulher à frente deles, antes de responderem juntos.

— Kanavagh Company.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Babá Perfeita   Epílogo

    SEIS MESES DEPOIS — Como está a minha garota? Sua aparência evidenciava seus sete meses de gestação. Estava com um barrigão. E mesmo assim, era a visão mais linda para Liam. Naquele momento ela estava de frente para o espelho alisando a barriga por cima do macacão azul-bebê. Seus olhos brilhavam mais do que qualquer outro dia. Ela sempre ficava sempre muito iluminada na gravidez. Antes achava que isso era besteira. Allison parecia um fantasma na gravidez dos seus sobrinhos. Não que ela não estivesse linda, porque seria uma grande mentira, mas não era como com Mia. — Quero dizer, minhas garotas. – Beijou sua barriga e então seus lábios. — Estamos famintas. — Não creio. Isso sim é uma novidade. A mulher de cabelos loiros bateu no marido, e ele riu. Apenas riu. — Eu quero pizza. — Por que eu acho que não é alguma que eu consigo olhar sem que meu estômago revire? Ou o estômago dos nossos filhos. Ela fez um biquinho. — Peça o que quiser, querida. – A beijou. – Seu desejo é u

  • A Babá Perfeita   Capítulo 342

    Liam se sentia o homem mais feliz do mundo. Ele era pai e seria de novo em oito meses. Sim, sua esposa havia acabado de completar um mês. Era cedo ainda. Mais um motivo para ele estar atento a ela. Cuidar dela. E do bebê que chegaria em alguns meses Ele nem acreditava que realmente estava acontecendo. Depois de ela ter confirmado que não estava grávida há dois anos, achou que não fosse mesmo acontecer. E estava conformado com isso. Tinha seis filhos. Estava feliz com seus seis filhos. Os trigêmeos estavam ainda na pré-escola, Bryan ainda era uma criança e ele tinha já dois adolescentes em casa. Estava ótimo. Mas ele se sentia muito feliz por saber que seria pai novamente. Alguns podiam dizer que era loucura, mas para ele não. Não gostava de pensar, mas logo seus filhos maiores estariam na faculdade e provavelmente morando sozinhos. Thomas vivia dizendo que quando começasse a faculdade ele iria querer morar em um apartamento para ele começar a viver a vida dele. Era difícil, mas o com

  • A Babá Perfeita   Capítulo 341

    Mia havia conseguido despistar o marido. Mesmo que contando uma novidade que ela tinha decidido fazer após completar os três meses. Infelizmente não havia conseguido. Mas era por um bem maior. Havia feito uma promessa. Não contar sobre o “namoro”. Não que ela fosse esconder para sempre, mas aquele não era o jeito de ser feito e por isso revelou estar grávida. Ainda se lembrava do choque quando viu aqueles dois tracinhos. Em cada um dos testes que fez. Começou a sentir seus seios muito sensíveis e então o sono estranho, e aí finalmente se deu conta de que estava atrasada. Muito atrasada. Eram dias exaustivos com três crianças de cinco anos, um de oito e dois de quase quinze, e por isso não tinha se dado conta antes. Mas naquela manhã, ela resolveu que faria os testes enquanto o marido ia buscar o presente de Bryan. E então o resultado. — Liam, o que está fazendo? – Perguntou quando o viu procurar alguma coisa dentro do closet. – Eu sei, você ficou chocado, eu também estou, mas não ach

  • A Babá Perfeita   Capítulo 340

    QUATRO ANOS DEPOIS Mia abriu a porta do quarto devagarzinho, encontrando o garotinho de cabelos castanho-claros e olhos azuis-esverdeados. Ele tinha oito anos, mas parecia ter mais. Era tão esperto quanto seus irmãos mais velhos, de quase quinze. Era também uma criança mais fechada. Como o pai. Talvez até mais. Ele era tão novinho quando o adotou. Era uma criança muito machucada. Não tinha um sorriso nos lábios. Os olhos eram tristes. Talvez por saber que foi abandonado por ambos seus pais quando era apenas um bebê. Havia sido tão difícil conquistá-lo, que por quase um ano, ele não se aproximava de ninguém além dela e Liam. Nem mesmo dos irmãos ele conseguia se aproximar. Levou mais ou menos um mesmo tempo para que chamasse ela de mamãe e Liam de papai. Não que isso fosse algo que a deixasse decepcionada, sabia que teria de ter paciência com o filho. Mas se preocupava. Não era normal uma criança ser tão fechada daquele jeito. Ele falava palavras curtas. E agora, com oito aninhos, fal

  • A Babá Perfeita   Capítulo 339

    — Continue, filho. – Ivy pediu. — Bem... – Pigarreou. – Nós vamos adotar uma criança. A surpresa foi geral. — Eu sei que é chocante, nós saímos em lua de mel em menos de um mês atrás e voltamos com essa notícia, que parece ter sido de uma hora para a outra. — E na verdade foi. – Mia confessou. – Do dia para a noite. — Como... que chegaram a essa decisão? Em uma viagem ainda por cima? — Não que estejamos criticando. – Anelise diz rapidamente após as palavras de Luna. — Sim, sim, não estamos criticando, só estamos surpresos demais. – Luna concordou, se explicando. — Eu meio que quase atropelei a criança. — Ai, meu Deus, Mia no volante é um perigo constante. — Cala a boca, Elliot. — Pior que é verdade. – Liam sussurrou para ambos os cunhados, que seguraram uma risada. — Não sei como nós sobrevivemos, não é, Naty? A rosada abriu a boca, indignada enquanto a pequenininha de sua filha ria. — Isso quer dizer que vamos ter um novo irmãozinho? – A pequena estava entusiasma

  • A Babá Perfeita   Capítulo 338

    Vinte dias depois Mia mal esperou o marido desligar o carro para descer e se jogar em cima dos gêmeos, que foram os primeiros a aparecerem na porta de casa. Os apertou em seus braços, encheu de beijos e disse várias vezes que estava morrendo de saudades dos seus “anjinhos”. Desde que ela passou a chamá-los assim, Killian, Lucca e principalmente Luna vinham implicando com ela. Porque eles não achavam que aqueles dois eram dois anjos. Eles eram qualquer coisa, menos anjos. Nunca foram e provavelmente nunca seriam. Mas ela não se importava, para ela, eles sempre seriam dois anjos. Eles entraram na vida dela como anjos para melhorar sua vida, para lhe trazer felicidade, alegria e em especial um grande amor. Seus bebezinhos de um aninho não demoraram a aparecer correndo. Ela se abaixou para poder abraçar os três de uma só vez e beijá-los tanto quanto ela beijou os gêmeos. E enquanto isso, Natalie e Thomas eram paparicados pelo pai, que contava dos presentes que haviam trazido para eles.

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status