LOGINo choro começou baixo, quase imperceptível.
Um som pequeno, sufocado, vindo do meio do sono, mas foi suficiente para fazer Helena e Dário levantarem-se imediatamente.Henrique se remexia inquieto na cama do hospital, abraçado a Tobias com força enquanto lágrimas escorriam pelo rosto pequeno.- Henrique... - Helena chamou suavemente, aproximando-se primeiro.O menino parecia preso num pesadelo, a respiração acelerada, o corpo tenso.Dário chegou logO abraço durou apenas alguns segundos, mas para Helena pareceu muito mais. Porque naquele instante, enquanto tentava controlar o pânico provocado pela notícia da invasão ao apartamento, a única coisa que conseguiu sentir foi segurança.Uma sensação estranha, desconhecida.Durante anos, segurança fora algo que existia apenas nos seus sonhos, agora estava ali, nos braços de um homem que nem sequer deveria ocupar aquele espaço na sua vida.Quando finalmente recuperou parte do controlo, afastou-se devagar, os olhos ainda brilhavam por causa das lágrimas que se recusava a deixar cair.Dário observou-a atentamente, a preocupação estampada no rosto.- Vai ficar tudo bem.Helena soltou uma pequena respiração sem humor.- Você não pode garantir isso.- Posso garantir que ele não vai chegar perto de você.- Álvaro nunca segue regras.A voz dela saiu mais baixa, mais frágil.Dário sentiu a raiva volta
o choro começou baixo, quase imperceptível.Um som pequeno, sufocado, vindo do meio do sono, mas foi suficiente para fazer Helena e Dário levantarem-se imediatamente.Henrique se remexia inquieto na cama do hospital, abraçado a Tobias com força enquanto lágrimas escorriam pelo rosto pequeno.- Henrique... - Helena chamou suavemente, aproximando-se primeiro.O menino parecia preso num pesadelo, a respiração acelerada, o corpo tenso.Dário chegou logo ao lado dela.- Filho.Henrique soltou um pequeno gemido angustiado antes de murmurar algo quase incompreensível.Mas Helena ouviu e pelo olhar de Dário, ele também."Não vai..."Meu Deus.Helena sentou-se rapidamente na beira da cama enquanto segurava o rosto do menino com cuidado.- Ei... acorda pra mim.Henrique abriu os olhos de repente, assustado.Demorou alguns segundos para reconhecer onde estava, então olh
O silêncio dentro do quarto do hospital tornou-se sufocante.Helena sentiu o estômago apertar imediatamente ao perceber a expressão séria do médico. Dário também percebeu, o corpo inteiro dele pareceu entrar em alerta outra vez.Henrique continuava dormindo, abraçado a Tobias, completamente alheio ao peso que começava a cair sobre o ambiente.- O que houve? - Dário perguntou imediatamente.O médico fechou parcialmente a porta antes de responder em tom mais baixo:- Encontramos uma alteração nos exames cardíacos dele.O coração de Helena afundou na mesma hora.Dário ficou imóvel.- Alteração como?- Pode não ser nada grave, mas precisamos investigar melhor.Aquelas palavras nunca tranquilizavam ninguém, nunca.O médico abriu a pasta lentamente.- Henrique apresentou uma irregularidade nos batimentos durante a monitorização. Quero repetir alguns exames amanhã de manhã e ped
O ar do quarto pareceu desaparecer completamente.Helena ficou imóvel ao lado da cama, sentindo o coração bater forte demais enquanto as palavras de Henrique ecoavam brutalmente dentro dela."A mamã fazia essa cara antes de chorar também."Dário também congelou.Porque aquilo não soou apenas como uma observação inocente, coou como culpa, com medo. Como uma criança tentando entender se estava vendo o pai substituir a mãe.Muito cedo, rápido demais, errado demais.Henrique continuava abraçado a Tobias enquanto observava os dois em silêncio, confuso, pequeno, vulnerável.Helena foi a primeira a recuperar parcialmente os sentidos, afastou-se imediatamente de Dário, dando um passo para trás rápido demais.- Henrique...Mas não sabia o que dizer.Meu Deus.O menino baixou os olhos lentamente para o urso.- Você vai embora agora?Aquilo apertou violentamente o peito dela, po
-Tobias acha suspeito vocês ficarem se olhando toda hora.O silêncio que caiu depois da frase de Henrique foi quase constrangedor.Helena desviou os olhos imediatamente, sentindo o rosto esquentar outra vez, enquanto Dário soltava uma pequena respiração cansada pelo nariz, claramente tentando manter alguma dignidade diante do próprio filho.Mas Henrique continuava observando os dois com atenção séria demais para uma criança de cinco anos.- Acho que Tobias anda vendo muitos desenhos - Helena respondeu rapidamente, entrando no quarto antes que o clima piorasse.Henrique acomodou-se melhor na cama.- Ele é muito inteligente.- Percebi.Dário entrou logo atrás dela, fechando parcialmente a porta do quarto hospitalar. O ambiente era silencioso, iluminado apenas pelas luzes suaves próximas à cama.Henrique parecia pequeno demais naquele lugar, frágil demais e aquilo mexia violentamente com Dário.El
-Henrique!O grito de Helena ecoou pela sala no exato instante em que o corpo pequeno do menino caiu no chão.Dário foi o primeiro a alcançá-lo, num segundo ele estava parado diante dela e no outro, ajoelhado no tapete segurando o filho nos braços.O mundo pareceu desacelerar violentamente.- Henrique! - a voz dele saiu rouca, irreconhecível. - Filho, olha pra mim.Mas o menino permanecia desacordado.Helena sentiu o próprio coração disparar em pânico enquanto se aproximava rapidamente.- Coloca ele de lado - disse imediatamente, tentando manter a calma. - Dário, olha pra mim. Respira.Mas ele não parecia ouvi-la.Os olhos escuros estavam presos no rosto pálido do filho enquanto o desespero começava a atravessar toda a postura controlada dele.Aquilo assustou Helena mais do que deveria.Porque homens como Dário pareciam inabaláveis até o momento em que quebravam completamente.







