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O Suspeito

Autor: Luis
last update Fecha de publicación: 2026-08-04 10:44:04

Depois do almoço, com Henrique já adormecido para a soneca da tarde, Aurora recebeu autorização de Beatriz para explorar parte da biblioteca da mansão.

O cômodo era gigantesco, quase um andar inteiro dedicado apenas a livros e memórias. Prateleiras de madeira escura, do chão ao teto, cobriam cada parede. Livros antigos com lombadas de couro gasto. Álbuns de fotografia empilhados com cuidado. Caixas de documentos lacradas, algumas cobertas por uma fina camada de poeira que sugeria anos sem serem
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Último capítulo

  • A Babá e o viúvo   A Ligação

    Aurora respira fundo e não demostra medo ela fala:— São fotos de um desenho de Henrique a morte da mãe dele o traumatizou, tenho que conversar com o senhor Leonardo sobre, acho que ele precisará de consultas psicológicas com alguma profissional.Ricardo sorri como um predador diante da preza que se recusa a ficar acoada sua mão cautelosamente acariacia o rosto de Aurora e fala:— Hummm devo confessar que você é muito linda, e lembra ela. — Ela?— Sim, a mãe de Henrique.— Helena?— Sim , querida — Ele acaricia com delicadeza uma mecha do cabelo loiro de Aurora, se ela fosse ingênua facilmente cairia nos encantos de Ricardo o tio de Leonardo. Mas ela mantem sua postura firme diante de todos os traços de sedução e elegancia que ele transmite, a beleza dele não ajuda a manter a firmeza, seus olhos azuis e cabelos escuros tendem a moldar aquele rosto masculo e lindo, a camisa social fica justa nos braços bem desenhados que ele tem, ela fala:— Você está perto demais de mim, senhor Ricar

  • A Babá e o viúvo   O Suspeito

    Ele havia ido procurar o filho como de costume, já que todas manhãs ele sempre deixava um beijo na testa de seu filho— mas parara ali, paralisado, ao ouvir o som do piano e, logo depois, a conversa. As palavras de Aurora o atingiram de um jeito que ele não esperava, ela também havia perdido a mãe e pela primeira vez viu seu filho sorrir em tanto tempo.A pergunta do próprio filho atravessou seu peito como uma lâmina fria, exata, cirúrgica. Porque toda vez que o nome de Helena escapava dos seus lábios, ele sentia que revivia, por inteiro, a noite em que a perdera. Porque ainda carregava, entalada na garganta como uma pedra, a culpa de não ter acreditado nela quando ela disse que estava sendo seguida. Porque falar sobre Helena significava admitir, em voz alta, que talvez tivesse falhado como marido — e, pior ainda, talvez tivesse falhado como o único protetor que ela tinha.Leonardo fechou os olhos por um segundo, a garganta apertada, e recuou devagar, fechando a porta com o máximo cuid

  • A Babá e o viúvo   O Piano

    A primeira semana de Aurora na Mansão Montenegro começou com um desafio que nenhuma das onze babás anteriores conseguira vencer. Henrique, simplesmente, se recusava a aceitar sua presença — ou, pelo menos, fingia se recusar, com toda a teimosia que um menino de seis anos era capaz de reunir. Na manhã seguinte ao encontro na biblioteca, Aurora abriu a porta do quarto de Henrique para acordá-lo e encontrou apenas silêncio. O quarto vazio.A cama desarrumada, os lençóis jogados de qualquer jeito. Brinquedos espalhados pelo chão, como se tivessem sido derrubados às pressas. E, o mais alarmante de tudo: a janela aberta, a cortina balançando levemente com a brisa da manhã. O coração de Aurora disparou "Meu Deus! Não!". — Henrique? — chamou, a voz já traindo o pânico, correndo até a janela e olhando para baixo, aliviada ao ver que não havia altura suficiente para ser perigoso, pois havia uma escada logo abaixo, seria uma escada estratégica para o menino? Mas ainda assim apavorada com a pos

  • A Babá e o viúvo   O Suspeito

    Depois do almoço, com Henrique já adormecido para a soneca da tarde, Aurora recebeu autorização de Beatriz para explorar parte da biblioteca da mansão.O cômodo era gigantesco, quase um andar inteiro dedicado apenas a livros e memórias. Prateleiras de madeira escura, do chão ao teto, cobriam cada parede. Livros antigos com lombadas de couro gasto. Álbuns de fotografia empilhados com cuidado. Caixas de documentos lacradas, algumas cobertas por uma fina camada de poeira que sugeria anos sem serem abertas. Retratos emoldurados da família Montenegro, gerações inteiras observando de cima, em silêncio, fora o ar antigo e clássico do local, estantes cobertas de livros, muitos deles e uma escada caracol ao canto com detalhes em dourados.Aurora caminhava devagar entre as prateleiras, os dedos deslizando pelas lombadas dos livros, os olhos vasculhando cada detalhe, cada moldura, cada pista possível que a ligasse ao passado da própria mãe. Foi então que um quadro específico chamou sua atenção.

  • A Babá e o viúvo   O Menino que Não Sorria

    Funcionários uniformizados cruzavam os corredores carregando bandejas de prata. Flores recém-colhidas eram distribuídas pelos salões em vasos de cristal, não haveria festa mas tudo deveria estar perfeito sempre. O aroma de café fresco subia pelas escadarias e se misturava ao cheiro de pão quente vindo da cozinha. Tudo ali funcionava como uma engrenagem impecavelmente sincronizada — cada pessoa em seu lugar, cada gesto ensaiado por anos de repetição, Aurora já vestia o uniforme, uma camisa brança com corte social e uma saia tubinho preta com um sapato de salto preto e de seis cm. — Dormiu bem? Aurora se virou ao ouvir a voz de Beatriz, que colocava uma xícara de café fumegante sobre a mesa da copa, os movimentos precisos de quem já fizera aquilo milhares de vezes. — Melhor do que eu imaginava, para ser sincera — respondeu Aurora, puxando a cadeira e se sentando. — Aproveite essa paz. — Beatriz esboçou um meio sorriso, cansado. — Ela costuma durar pouco por aqui. Aurora segurou a

  • A Babá e o viúvo   O Bilhete Misterioso

    Leonardo fechou a pasta com cuidado, quase com reverência, e voltou a olhar para a fotografia da esposa sobre a mesa.— O passado nunca deixou de viver comigo, tio — disse, a voz agora baixa, cansada, definitiva. — Ele mora aqui, nesta sala, todos os dias. E não vou parar até entender por que ela morreu com tanto medo.— Bom, nesse caso então conte comigo sobrinho.Ricardo colocou sua mão sobre o ombro de Leonardo.Naquela mesma noite, já tarde, Aurora organizava as poucas roupas que trouxera no pequeno quarto reservado aos funcionários — simples, mas limpo, com uma cama de solteiro e um criado-mudo de madeira escura ao lado.Ao fechar a última gaveta, sentiu algo estranho sob os dedos: o fundo da gaveta parecia mais alto do que deveria, como se houvesse um espaço vazio embaixo dele que não fazia sentido, movida pela curiosidade ajoelhou-se no chão frio e passou as mãos pela madeira, apertando de leve em diferentes pontos até sentir uma pequena reentrância, quase invisível a olho nu.

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