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Prólogo

Autor: K.G
last update Data de publicação: 2026-02-28 02:57:32
Isadora

Dez anos. Se alguém me dissesse, naquela tarde chuvosa em que pisei pela primeira vez na mansão Vaz carregando uma mala barata e um currículo amassado, que uma década depois eu estaria sentada nesta mesma cozinha, não como funcionária, mas como o pilar de uma família, eu provavelmente pediria para essa pessoa revisar suas faculdades mentais.

O sol de domingo entrava pela janela, iluminando os grãos de café que eu acabara de moer. O som da casa era uma melodia caótica que eu aprendera
K.G

Queridos leitores, Chegamos ao fim de uma jornada que começou com um contrato frio e termina com um horizonte infinito de amor. Escrever a história de Isadora e Rafael foi, acima de tudo, explorar a ideia de que a vida não nos tira nada sem a intenção de nos oferecer algo muito maior — se tivermos a coragem de olhar além das sombras. Isadora nos ensinou que a nossa origem não define o nosso destino, e que a resiliência é a forma mais pura de nobreza. Rafael nos mostrou que até o coração mais blindado pode ser reconstruído quando encontra um lar em outra pessoa. Que a história deles inspire vocês a acreditarem que, mesmo nos dias mais nublados, o sol está apenas esperando o momento certo para nascer. Porque, como Isadora descobriu, a vida sempre arruma uma forma de nos recompensar. Beijos, K.G

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  • A Babá que o bilionário não merecia    Prólogo

    Isadora Dez anos. Se alguém me dissesse, naquela tarde chuvosa em que pisei pela primeira vez na mansão Vaz carregando uma mala barata e um currículo amassado, que uma década depois eu estaria sentada nesta mesma cozinha, não como funcionária, mas como o pilar de uma família, eu provavelmente pediria para essa pessoa revisar suas faculdades mentais. O sol de domingo entrava pela janela, iluminando os grãos de café que eu acabara de moer. O som da casa era uma melodia caótica que eu aprendera a amar mais do que o silêncio dos meus tempos de solidão. No balcão da cozinha, Arthur, agora com dez anos, devorava uma pilha de panquecas com a mesma determinação com que Rafael fechava contratos bilionários. Ele era a mistura perfeita: os olhos gélidos e azuis do pai, mas com o sorriso fácil e a covinha na bochecha que ele herdara de mim. — Arthur, devagar com a calda, ou você vai ter um pico de açúcar antes de chegarmos à igreja — alertei, rindo enquanto servia o suco natural. — Mãe, eu

  • A Babá que o bilionário não merecia    160 - O Dobro de Vida

    RafaelSe alguém me dissesse, há alguns anos, que eu passaria a minha madrugada de terça-feira em um corredor de hospital, com o paletó amassado, segurando um copo de café intragável e torcendo fervorosamente pelo bem-estar de outra pessoa que não fosse eu mesmo, eu provavelmente riria com desdém. Mas aqui estava eu. E o mais surpreendente: eu não estava sozinho. Ao meu lado, Isadora mantinha as mãos entrelaçadas nas minhas, sua cabeça repousando no meu ombro enquanto observávamos, através da parede de vidro da sala de parto, a maior tempestade emocional da vida do meu irmão.Eduardo, o homem que um dia jurou que

  • A Babá que o bilionário não merecia     159 - O Som da Plenitude

    RafaelEu estava encostado no batente da porta da varanda, segurando uma taça de vinho que mal fora tocada. O sol de domingo começava a baixar, lançando sombras longas e douradas sobre o jardim da mansão. O barulho lá fora era constante: o som de talheres, risadas altas e o grito entusiasmado de Sofia enquanto corria atrás do cachorro. Durante anos, esse cenário seria o meu pior pesadelo — eu, o homem do silêncio, da ordem e da solidão produtiva. Mas hoje, aquele ruído era a única métrica de sucesso que me interessava.Eduardo estava sentado à cabeceira da mesa externa, com Mariana ao seu lado. Ele parecia di

  • A Babá que o bilionário não merecia    158 - O Brilho do Novo Horizonte

    Isadora A manhã da inauguração não começou com o despertador, mas com o som da respiração pausada de Arthur ao meu lado e o toque suave de Sofia na ponta do meu pé. O sol entrava pelas frestas da cortina da mansão, trazendo consigo uma promessa que eu esperava há anos. Hoje, o "Projeto Horizonte" deixaria de ser um arquivo no meu tablet para se tornar o refúgio de centenas de crianças. Eu me sentia elétrica. Enquanto me arrumava, escolhi um conjunto de alfaiataria em tom off-white, elegante e sóbrio, mas que transmitia a luz que eu sentia por dentro. Prendi o cabelo em um coque baixo e impecável, deixando apenas algumas mechas soltas. No pescoço, o colar que Rafael me dera — o diamante de Sofia, a safira de Arthur e a minha esmeralda. — Você está parecendo uma rainha, Isa — Sofia disse, entrando no closet com seu vestido de festa, segurando a mão de um Arthur que já ensaiava seus primeiros passos vacilantes, vestido com uma mini camisa social. — Eu não sou uma rainha, meu amor — r

  • A Babá que o bilionário não merecia    157 - O Batismo e a Redenção das Sombras

    Rafael A capela da propriedade era um dos poucos lugares que ainda mantinha a arquitetura clássica e austera que meu pai tanto apreciava. Mas hoje, o ambiente estava transformado. Isadora enchera o altar de lírios brancos e ramos de oliveira, trazendo uma leveza que o mármore nunca conheceu. Arthur estava no colo dela, vestido com um mandrião de renda renascença que fora de Sofia — um gesto de Isadora para reforçar que não havia distinção entre os dois. Sofia estava ao lado, orgulhosa em seu papel de madrinha de consagração, segurando a vela com uma seriedade adorável. Eu observava a cena de um dos bancos da frente. Mariana e Eduardo eram os padrinhos oficiais, e a alegria deles era contagiante. Mas, no meio da cerimônia, meu olhar se desviou para um envelope pardo que meu secretário me entregara minutos antes de entrarmos na capela. Tinha um selo de um escritório de advocacia de Paris. Eu sabia o que era. Ou melhor, de quem era. Isadora O batismo de Arthur não era apenas um rit

  • A Babá que o bilionário não merecia    156 - O Primeiro Vínculo

    Rafael O silêncio da noite na mansão Vaz tinha uma textura diferente agora. Não era mais o silêncio vazio de uma casa assombrada por memórias amargas e protocolos rígidos. Era um silêncio vivo, pontuado pelo som distante do monitor de bebê no quarto ao lado e pelo vento que soprava suavemente nas árvores do jardim. Arthur finalmente dormira após o "banho épico" da tarde, e Isadora, exausta, mas feliz, também se rendera ao sono. No entanto, enquanto eu caminhava pelo corredor, percebi uma fresta de luz vinda do quarto de Sofia. Entrei devagar. Ela estava sentada no parapeito da janela, abraçada aos próprios joelhos, observando a lua. O leão de crochê que ela tanto queria dar ao irmão estava ali, esquecido ao seu lado. A cena apertou meu coração. Eu conhecia aquele olhar de Sofia; era o olhar de quem estava tentando processar onde se encaixava em um mundo que acabara de girar mais rápido do que o esperado. — Ainda acordada, princesa? — perguntei, aproximando-me com passos suaves. E

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